quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Prólogo

Gustavo tinha apenas cinco anos de idade, não era como as outras crianças. Não sabia, mas sua seriedade e submissão já eram presenças fortes em sua personalidade. ele aceitava tudo o que lhe era imposto sem pestanejar. Tinha aprendido com o olhar sério e tom forte de falar de sua mãe, que obedecer era a melhor escolha. Havia acabado de chegar de São Paulo com sua mãe e irmão mais novo, este tinha apenas um ano a menos. Estavam ainda na rua, próximo a casa de sua avó, que estavam indo visitar quando seu primo, que estava na calçada com outro amiguinho brincado. Eles vão ao seu encontro, mesmo sabendo que eles estavam indo em sua direção. Gustavo se encolhe por trás do poste que fica ao lado da casa de sua avó. Sua mãe e irmão mais novo passam direto e entram na casa enquanto seu primo sorrindo apresenta seu amigo:

- Oi Gustavo, bora brinca?
Sem largar o poste, Gustavo apenas ouve as palavras do primo enquanto olhava para o amigo dele e assente ao questionamento do primo, que continua falando.
- Este é o Aleff, amigo meu, mora ali na outra rua.

Então o Aleff, que era um ano mais velho, apesar da mesma altura e branco igual ao Gustavo, estende a mão enquanto o seu primo, conhecido por "Binho" pelo fato dele ter sido batizado com o nome do tio e ter o sobrenome "Sobrinho" no final afirma que aquele é o Gustavo, seu primo que acabara de chagar  de são Paulo. Aleff sorri, mostrando seus dentes tortos e brancos. Gustavo não deixou de perceber que este seu novo amigo era diferente de todos os poucos que já conhecera. Aleff tinha olhos verdes, com cabelos louros e lisos como os dele, seus lábios eram grossos e rachados pelo sol. Gustavo sorri enquanto aperta quela mão que era calejada, provavelmente de tanto brincar na rua. Coisa que ele não fazia, já que só brincava com seu irmão mais novo e geralmente dentro de casa. Tinha medo de apanhar de sua mãe. Aleff confirma o que o primo tinha dito, quanto a morar na outra rua e o chama para conhecer seus irmãos e outros amigos em sua casa. Ele aceita, o que já estava acostumado a fazer. Aceito a contra gosto, já que desde pequeno, odiava conhecer pessoas. Mesmo assim eles foram.
Na esquina da rua que cruzava a rua de trás da casa de sua avó com a do final da sua, chegam na casa do Aleff.Gustavo encontra uma casa pequena, aparentemente com apenas três vãos, contando com o banheiro e um terreno enorme que envolve a pequena casa por todos os lados. Gustavo simplesmente fica admirado com tanta terra, árvores e espaço para diversão. Sem dúvidas, ele não tinha estas vantagens em São Paulo.
Todos vão para o quintal, lá Gustavo e seu mais novo amigo ficam a sós, pois seu primo entrou na casa para chamar os irmãos do Allef para brincarem. Sozinhos, Aleff se aproxima do Gustavo e pergunta:
- Você sabe o que é gozar?
Gustavo não entende a pergunta e ainda sem ter dito uma palavra, balança a cabeça em negativa. Aleff continua:

- É homem com mulher e homem com homem fazendo coisa feia. Vamos fazer?
Nossa, Gustavo nem imaginava quantas seriam as vezes que ele ouviria aqueles palavras, "Vamos Fazer".

Pela primeira vez Gustavo abre a boca:
- Acho melhor não, não sei como faz isso.
- Tem problema não, também nunca fiz, mas vi uns filmes do meu pai que meu pai vê escondido. é legal, a gente faz e se não gostar, a gente para.
Mais uma vez, seu instinto submisso aflora e ele assente ao pedido do amigo. Eles vão para o fundo do quintal, entre várias arvores baixas e expeças de pitanga, onde tinha um pedaço de armário sem as portas jogado virado para cima. Aleff pede que ele entra e fique de bruços. Aleff deita por cima dele, coloca os braços ao redor se seu corpo e fica com movimentos de vai e vem sobre ele. Gustavo se sente um tanto desconfortável com o peso do seu mais novo amigo sobre ele. Não sabe dizer se está gostando daquilo, apenas deixa que ele faça o que quer até chegar o momento que vai começar a ficar divertido. Momento este que não chegou. Eles se levantam, se olham, Aleff pergunta como foi e ele responde:
- Não sei, foi estranho.
- No começo é assim, depois melhora.
Eles sorriem.
-Vamos fazer de novo de noite? Aleff pergunta animado.
-Tudo bem. Responde Gustavo. 
Ele não via mal nenhum naquilo, não houve dor, ninguém iria saber e ele sabia que seria um motivo para estar a sós com o Aleff de novo. Ninguém nunca tinha o tocado daquela forma antes. Por alguns instantes, estranhamente, se sentiu protegido. Aquela sensação o encorajou a continuar. 

domingo, 10 de novembro de 2013

12 - Violeta - Surpresa e medo.

Com o passar do tempo, as coisas aparentavam estar entrando nos eixos. Vinha me dando bem no trabalho e minhas horas vagas ficaram divididas entre ler romances enquanto o Emerson assistia aula e sair com ele. Aliás, amo ler, mas sair com o Emerson sem dúvida era a melhor parte dos meus dias. Ficamos comendo nos sebosões de beira de esquinas para no começo do mês sairmos para comer em restaurantes caros apenas para saciar nossos desejos de comer algo mais requintado. As vezes achava muito confortável o fato de não ter conhecido ninguém de sua família ou seus amigos. Isso não me incomodava e ele também nem toca no assunto. Nossos programas em geral eram assim, mas de vez em quando íamos ao parque do sabiá, ficávamos em baixo de algumas árvores, deitados em gramas e as vezes trocávamos beijos discretos. Ele ainda não se sentia a vontade em ir lá em casa. Não conseguia esconder dele a estranheza das atitudes do Niel naqueles últimos dias... Daniel simplesmente evitava de falar comigo, vivia de cara amarrada e passava mais tempo fora de casa do que qualquer outra coisa. Achava estranho  ele não ficar mais naquelas salas de bate papo e quando o via fazendo aquilo, geralmente era porque já estava fazendo quando eu chegava. Eu ficava do lado de fora do quarto esperando ele terminar. Percebia as expressões dele. Parecia que fazer aquilo não tinha mais graça. Se tornou mais uma coisa por obrigação do que por prazer. Sem dúvidas a nossa convivência estava abalada e eu simplesmente não sabia o que fazer para mudar aquilo. Era difícil esconder minha felicidade em ter o Emerson como namorado.
Sabia que estava bom demais para ser verdade. Alguma coisa iria acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. Só não esperava que fosse justamente naquele dia. Num domingo em que nossas folgas bateram e o Emerson não tinha muita coisa para estudar, resolvemos pegar um cinema e depois comer na praça de alimentação do shopping mesmo. Não esperava vê-los ali. Parecia que tinha sido combinado. Estávamos eu e o meu namorado andando em direção a saída do Uberlândia shopping, quando em minha frente surgem o Felipe, Leonardo e para minha surpresa o Niel. Eles estavam sorrindo, demonstrando uma felicidade que me deixou boquiaberto. O Leonardo não parava de tocar o Felipe, já este não tirava as mãos da cintura do Niel, que estava sorrindo e olhando para o Leonardo com um sorriso descarado que só usava em seus vídeos na internet. Eles aparentemente estavam bêbados e o Emerson não achou nem um pouco interessante minha reação. Paralisei com aquela cena. Quando enfim nos viram, cada um teve uma reação diferente. Consegui captar cada uma delas. O Leonardo me olhava com o queixo levantado, demonstrando uma superioridade que não existia, o Felipe me olhou confuso, mas fazendo questão de mostrar que o Niel estava onde, para ele, deveria ser o meu lugar. Já o Niel não conseguia me olhar nos olhos, apenas aceitava as mãos dos outros dois em seu corpo sem coragem para se quer afastá-las. O Emerson estava bufando, sabia quem era o Niel e pelo que percebi, seu ciúme foi notório devido achar que eu estava enciumado pelo Niel. Minhas pernas tremiam e minhas orelhas queimavam. Sem exitar, o Emerson  me apertou o braço e puxou para que passássemos por eles o mais rápido possível. Eles fizeram o mesmo, mas o Leonardo não poderia perder a oportunidade de falar no mesmo instante que estávamos passando uns ao lado dos outros:
- Vamos embora meninos, que para o que iremos fazer daqui a pouco, este lugar está "careta" demais.
Abaixei a cabeça e já no ponto de ônibus vazio o Emerson me olhava com os olhos exalando fogo e disparou a reclamar da situação. Não tive como esconder mais e contei tudo o que aconteceu comigo, o Felipe e Léo. Ele não falava nada, apenas ouvia tudo com a cabeça baixa. Quando terminei, ele estava sentado olhando para o chão, com os braços apoiados nos joelhos. Não falava comigo e não respondia minha perguntas. Resolvi me ajoelhar em sua frente para conseguir ter acesso a seu rosto. Meu coração trincou quando vi que sua boca tremia e em seus olhos escorriam lágrimas. De imediato os que encheram de água foram os meus. Tentei segurar suas mãos, abraçá-lo, mas eles apenas evitava ficar virado para mim e me afastava de seu corpo. Pedia de todas as formas para que ele entendesse que tudo o que fiz, foi antes de conhecê-lo, mas foi em vão. Emerson apenas pediu para ficar só, que precisava pensar. Não tive coragem de entrar no mesmo ônibus que ele quando ouvi de sua boca que  não queria me ver, que quando estivesse preparado me procuraria. Desabei no ponto de ônibus quando o vi embarcar sem olhar para trás enquanto limpava do rosto as lágrimas que insistiam em cair.
Naquela noite o Niel não dormiu em casa, o que já era de se esperar, Mandei mensagens tanto para o ele, quanto para o Emerson. Nenhum dos dois me responderam. Passei a noite quase toda em claro, ouvindo entre as mais melancólicas de Elis e Marrom.
Quando acordei, meus olhos estavam inchados e a moleza tomava conta de meu corpo, não queria ir trabalhar. Preferia ficar em casa deitado e me torturando olhando para o telefone, na esperança de receber ao menos uma mensagem do Emerson. Tinha certeza que ele me evitaria no trabalho, que arranjaria alguma forma de não passar pelo corredor onde geralmente dávamos nossos tchauzinhos diários. Fui trabalhar e fiquei atendendo os clientes sem o menor sorriso na voz. As horas não passavam e até atenção fui chamado pelo Olávio, que apenas me olhava com aquele olhar de que sabia muito bem o que estava acontecendo comigo. Meu mundo parou e tive sorte de não estar em ligação quando o vi passar. Ele estava com uma colega de trabalho, evitava olhar para o meu lado do corredor e suas olheiras eram tão notórias quando as minhas. Nossos olhares se cruzaram quando de relance, olhou em minha direção. Ele apenas sorriu e abaixou o olhar tristonho. De repente, a sensação estranha de estar perdendo o meu mundo surge.
O ápice eram seus sorrisos, que para mim, não era mais o mesmo,era menos espontâneos e menos meu. Então me olhou novamente e sem mudar e expressão moveu os lábios lentamente para que eu pudesse entender o 'Eu te amo' que dizia. Abaixou novamente a cabeça e sumiu com sua amiga de meu campo de visão.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

11 - Na cor do amor.

Alguns dias se passaram e minha felicidade estava visível em meu sorriso constante. Me encontrava com o Emerson todos os dias após nosso expediente e sempre dávamos tchau felizes um para o outro quando nos víamos do outro lado do vidro. O acompanhava até sua faculdade, que enquanto a aula não começava, ficávamos conversando abraçados numa arvore e nos beijando. Estava gostando daquele ritual. Ter alguém que se importava  comigo e fazia questão de me ver todos os dias estava mudando meu pensar com relação a relacionamento. Aquela rotina, agregada a forma como o Emerson me tratava, seu sorriso um tanto ingênuo e o rubor das maçãs de seu rosto quando tentava me agradar de alguma forma, estava fazendo com que meu encanto por ele se transformasse em algo forte, algo que eu não sabia se estava preparado para enfrentar. De qualquer forma estava com medo,
medo do que ele acharia se soubesse que as vezes transava com meu colega de quarto, medo de ele descobrir sobre minha história inacabada com o Felipe. Sei que faz dias desde aquela mensagem estranha e que nunca mais deu sinal de vida. Sei que mais cedo ou mais tarde terei que enfrentar esta situação, mas não quero perder esta relação tão pura que estou vivendo. Minha cabeça estava cheia e sem conseguir pensar em outra coisa me levantei do meu colchão, peguei uma calça e fui para o banheiro. Quando terminei de tomar banho e entrei no quarto apenas para pegar minha carteira, o Niel me perguntou sem levantar os olhos dos tantos livros sobre sua cama, se eu iria sair. Apressado apenas respondi:
- Vou encontrar meu futuro namorado.
O Daniel me olhou pelo canto dos olhos e deu um meio sorriso. Percebi que ele tentou demonstrar indiferença, mas o fato de morar sob o mesmo teto que ele, me deu uma certa autonomia para dizer que conhecia suas expressões.
Corri para o ponto de ônibus para não perder a oportunidade de encontrá-lo ainda na porta da faculdade. Antes mesmo do ônibus chegar, mandei um sms peguntando se ele estava na aula ainda. Ele respondeu que sim com emoticons de sorriso e mandei outra pedindo que me esperasse no mesmo lugar que ficávamos todos os dias, pois estava indo ao seu encontro. Sua forma de digitar aparentemente estava preocupada com a estranheza de minha reação, mas não quis adiantar o assunto que queria tanto falar com ele e que não poderia esperar para o dia seguinte. Chegando na Ufu, corri até o corredor do bloco onde ele estudava e do outro lado, na mesma arvore que ficávamos toda noite, o vi encostado na "nossa" arvore e de cabeça baixa digitando no celular. No mesmo instante recebo uma mensagem dele perguntando onde eu estava. Apenas pedi para que olhasse para frente. Ainda estava à uns quatro metros de distância quando ele levantou a cabeça e me viu ofegante indo em sua direção. Seu olhar se encheu de vida e sorriu. Toda vez que ele sorria serrando os olhos, fazia meu coração palpitar. Ele tentou falar, mas apenas pedi que me deixasse falar primeiro:
- Desculpa, sei que essa não é a hora, que está cansado e que só pensa em jantar, tomar banho e dormir. O problema é que eu não conseguiria dormir se não falasse sobre isso com você ainda hoje.
Ele apenas olhava para mim com expressão de preocupação e seu sorriso tinha desaparecido.
- Estava em casa pensando em tudo o que aconteceu nestes dias e em nós dois... Não sei se estou pronto para isso ainda, nem sei se realmente sirvo para ser a pessoa ideal para você, mas quero que saiba que me esforçarei todos os dias para ser esta pessoa. Não esperava sentir o que estou sentindo por você e não quero simplesmente ignorar isso como fiz tantas vezes...
Segurei sua mão, foi neste momento que percebi o quanto as minhas estavam tremendo. Minhas orelhas queimavam e seus olhos ficaram arregalados quando me ajoelhei e de joelhos olhei fixamente para seus olhos e disse:
- Emerson, estou aqui agora, de frente para você para mostrar o quanto estou entregue a você. Quero que a partir de hoje, sob esta arvora que foi o cenário do surgimento de tudo o que sinto por você, eu possa te chamar de meu e ser seu. Emerson, você quer namorar comigo?
Minhas pernas ainda estavam bambas e minhas mãos suavam nas suas esperando sua resposta. Ele resolveu não falar nada, apenas endireitou os óculos em seus olhos, se ajoelhou diante de mim e olhando para os meus olhos na mesma altura dos seus disse:
- Realmente não esperava algo assim, tão inusitado de sua parte. Você é incrível e conhecer você durante este período me fez acreditar em alma gêmea, em alguém que pudesse fazer dos meus dias mais bonitos e felizes. Não preciso responder sua pergunta, até porquê para mim, já estávamos namorando. Sei que oficializar isso é uma forma de concretizar e começar a somar os dias de felicidade. Gustavo, é lógico que aceito ser seu namorado.
Neste momento ele me beijou. Minha mão direita procurou sua nuca, enquanto a esquerda não soltava sua mão direito. Nos beijamos por pouco tempo, meu corpo ainda tremia quando ouvi palmas e gritos eufóricos ao nosso redor. Quando abrimos os olhos, o bloco estava repleto de pessoas que aplaudiam, gritavam, filmavam ou batiam fotos de nós dois. Fiquei sem saber o que fazer naquela situação. Já o Emerson se levantou, me ajudou a levantar e de mãos dadas, tentamos sair do meio das pessoas como se nada tivesse acontecido. Ele foi surpreendido por algumas colegas de curso que o abraçava e me olhavam com olhos brilhando. Tentei ser educado da melhor forma possível tentando disfarçar o constrangimento. Logo em seguida todos se dispersaram e fomos embora. Com a mochila do Emerson nas costas, fomos até o ponto de ônibus. Lá, mesmo fingindo sermos apenas amigos, eram inevitáveis os sorrisos e comentários sobre nós dois. Ele tentava ignorar a todos olhando para mim e falando sobre como eu fui louco em fazer aquilo. Nem eu sabia ao certo o motivo, a única certeza que tinha, era da minha vontade de gritar ao mundo que nas minhas costas, estavam os pertences do cara mais lindo da Ufu, de Uberlândia, de Minas, do Brasil, do mundo e que era a partir daquele momento, meu namorado. Nos despedimos com um beijo e quase que não soltava sua mão. O vi ir embora com o coração na mão. Não queria me separar dele nunca mais, mas tinha que deixá-lo ir. A única coisa que me confortou, foi saber que em poucas horas o veria passar mais uma vez por mim do outro lado do vidro no trabalho com o sorriso mais lindo do mundo.
Cheguei em casa radiante e quando entrei no quarto o Niel nem tinha se movido. Era estranho imaginar que ele passou todo este tempo enfurnado naquelas páginas sem movimentar um dedo além do que passavam as folhas. 
- Então... Encontrou seu futuro namorado?
Me deitei e fiquei sonhando com todo o que tinha acontecido e respondi:
- Sim, mas agora ele não é mais meu futuro namorado. É meu atual.
Me assustei com o barulho que o livro fez ao ser fechado. Olhei para o Daniel e o vi apenas tirando todos aqueles materiais de estudo da cama e se virando para a parede.
- O que houve?
- Nada, só estava esperando você chegar para dormir.
Era nítida sua reação estranha, só não soube identificar se era raiva, ciúme ou apenas coisa de minha cabeça. Preferi fingir que não havia percebido nada. Desejei boa noite, apaguei a luz do quarto e dormi com um sorriso no rosto e o coração batendo mais forte.