Gustavo tinha apenas cinco anos de idade, não era como as outras crianças. Não sabia, mas sua seriedade e submissão já eram presenças fortes em sua personalidade. ele aceitava tudo o que lhe era imposto sem pestanejar. Tinha aprendido com o olhar sério e tom forte de falar de sua mãe, que obedecer era a melhor escolha. Havia acabado de chegar de São Paulo com sua mãe e irmão mais novo, este tinha apenas um ano a menos. Estavam ainda na rua, próximo a casa de sua avó, que estavam indo visitar quando seu primo, que estava na calçada com outro amiguinho brincado. Eles vão ao seu encontro, mesmo sabendo que eles estavam indo em sua direção. Gustavo se encolhe por trás do poste que fica ao lado da casa de sua avó. Sua mãe e irmão mais novo passam direto e entram na casa enquanto seu primo sorrindo apresenta seu amigo:
- Oi Gustavo, bora brinca?
Sem largar o poste, Gustavo apenas ouve as palavras do primo enquanto olhava para o amigo dele e assente ao questionamento do primo, que continua falando.
- Este é o Aleff, amigo meu, mora ali na outra rua.
Então o Aleff, que era um ano mais velho, apesar da mesma altura e branco igual ao Gustavo, estende a mão enquanto o seu primo, conhecido por "Binho" pelo fato dele ter sido batizado com o nome do tio e ter o sobrenome "Sobrinho" no final afirma que aquele é o Gustavo, seu primo que acabara de chagar de são Paulo. Aleff sorri, mostrando seus dentes tortos e brancos. Gustavo não deixou de perceber que este seu novo amigo era diferente de todos os poucos que já conhecera. Aleff tinha olhos verdes, com cabelos louros e lisos como os dele, seus lábios eram grossos e rachados pelo sol. Gustavo sorri enquanto aperta quela mão que era calejada, provavelmente de tanto brincar na rua. Coisa que ele não fazia, já que só brincava com seu irmão mais novo e geralmente dentro de casa. Tinha medo de apanhar de sua mãe. Aleff confirma o que o primo tinha dito, quanto a morar na outra rua e o chama para conhecer seus irmãos e outros amigos em sua casa. Ele aceita, o que já estava acostumado a fazer. Aceito a contra gosto, já que desde pequeno, odiava conhecer pessoas. Mesmo assim eles foram.
Na esquina da rua que cruzava a rua de trás da casa de sua avó com a do final da sua, chegam na casa do Aleff.Gustavo encontra uma casa pequena, aparentemente com apenas três vãos, contando com o banheiro e um terreno enorme que envolve a pequena casa por todos os lados. Gustavo simplesmente fica admirado com tanta terra, árvores e espaço para diversão. Sem dúvidas, ele não tinha estas vantagens em São Paulo.
Todos vão para o quintal, lá Gustavo e seu mais novo amigo ficam a sós, pois seu primo entrou na casa para chamar os irmãos do Allef para brincarem. Sozinhos, Aleff se aproxima do Gustavo e pergunta:
- Você sabe o que é gozar?
Gustavo não entende a pergunta e ainda sem ter dito uma palavra, balança a cabeça em negativa. Aleff continua:
- É homem com mulher e homem com homem fazendo coisa feia. Vamos fazer?
Nossa, Gustavo nem imaginava quantas seriam as vezes que ele ouviria aqueles palavras, "Vamos Fazer".
Pela primeira vez Gustavo abre a boca:
- Acho melhor não, não sei como faz isso.
- Tem problema não, também nunca fiz, mas vi uns filmes do meu pai que meu pai vê escondido. é legal, a gente faz e se não gostar, a gente para.
Mais uma vez, seu instinto submisso aflora e ele assente ao pedido do amigo. Eles vão para o fundo do quintal, entre várias arvores baixas e expeças de pitanga, onde tinha um pedaço de armário sem as portas jogado virado para cima. Aleff pede que ele entra e fique de bruços. Aleff deita por cima dele, coloca os braços ao redor se seu corpo e fica com movimentos de vai e vem sobre ele. Gustavo se sente um tanto desconfortável com o peso do seu mais novo amigo sobre ele. Não sabe dizer se está gostando daquilo, apenas deixa que ele faça o que quer até chegar o momento que vai começar a ficar divertido. Momento este que não chegou. Eles se levantam, se olham, Aleff pergunta como foi e ele responde:
- Não sei, foi estranho.
- No começo é assim, depois melhora.
Eles sorriem.
-Vamos fazer de novo de noite? Aleff pergunta animado.
-Tudo bem. Responde Gustavo.
Ele não via mal nenhum naquilo, não houve dor, ninguém iria saber e ele sabia que seria um motivo para estar a sós com o Aleff de novo. Ninguém nunca tinha o tocado daquela forma antes. Por alguns instantes, estranhamente, se sentiu protegido. Aquela sensação o encorajou a continuar.