Alguns dias se passaram e minha felicidade estava visível em meu sorriso constante. Me encontrava com o Emerson todos os dias após nosso expediente e sempre dávamos tchau felizes um para o outro quando nos víamos do outro lado do vidro. O acompanhava até sua faculdade, que enquanto a aula não começava, ficávamos conversando abraçados numa arvore e nos beijando. Estava gostando daquele ritual. Ter alguém que se importava comigo e fazia questão de me ver todos os dias estava mudando meu pensar com relação a relacionamento. Aquela rotina, agregada a forma como o Emerson me tratava, seu sorriso um tanto ingênuo e o rubor das maçãs de seu rosto quando tentava me agradar de alguma forma, estava fazendo com que meu encanto por ele se transformasse em algo forte, algo que eu não sabia se estava preparado para enfrentar. De qualquer forma estava com medo,
medo do que ele acharia se soubesse que as vezes transava com meu colega de quarto, medo de ele descobrir sobre minha história inacabada com o Felipe. Sei que faz dias desde aquela mensagem estranha e que nunca mais deu sinal de vida. Sei que mais cedo ou mais tarde terei que enfrentar esta situação, mas não quero perder esta relação tão pura que estou vivendo. Minha cabeça estava cheia e sem conseguir pensar em outra coisa me levantei do meu colchão, peguei uma calça e fui para o banheiro. Quando terminei de tomar banho e entrei no quarto apenas para pegar minha carteira, o Niel me perguntou sem levantar os olhos dos tantos livros sobre sua cama, se eu iria sair. Apressado apenas respondi:
- Vou encontrar meu futuro namorado.
O Daniel me olhou pelo canto dos olhos e deu um meio sorriso. Percebi que ele tentou demonstrar indiferença, mas o fato de morar sob o mesmo teto que ele, me deu uma certa autonomia para dizer que conhecia suas expressões.
Corri para o ponto de ônibus para não perder a oportunidade de encontrá-lo ainda na porta da faculdade. Antes mesmo do ônibus chegar, mandei um sms peguntando se ele estava na aula ainda. Ele respondeu que sim com emoticons de sorriso e mandei outra pedindo que me esperasse no mesmo lugar que ficávamos todos os dias, pois estava indo ao seu encontro. Sua forma de digitar aparentemente estava preocupada com a estranheza de minha reação, mas não quis adiantar o assunto que queria tanto falar com ele e que não poderia esperar para o dia seguinte. Chegando na Ufu, corri até o corredor do bloco onde ele estudava e do outro lado, na mesma arvore que ficávamos toda noite, o vi encostado na "nossa" arvore e de cabeça baixa digitando no celular. No mesmo instante recebo uma mensagem dele perguntando onde eu estava. Apenas pedi para que olhasse para frente. Ainda estava à uns quatro metros de distância quando ele levantou a cabeça e me viu ofegante indo em sua direção. Seu olhar se encheu de vida e sorriu. Toda vez que ele sorria serrando os olhos, fazia meu coração palpitar. Ele tentou falar, mas apenas pedi que me deixasse falar primeiro:
- Desculpa, sei que essa não é a hora, que está cansado e que só pensa em jantar, tomar banho e dormir. O problema é que eu não conseguiria dormir se não falasse sobre isso com você ainda hoje.
Ele apenas olhava para mim com expressão de preocupação e seu sorriso tinha desaparecido.
- Estava em casa pensando em tudo o que aconteceu nestes dias e em nós dois... Não sei se estou pronto para isso ainda, nem sei se realmente sirvo para ser a pessoa ideal para você, mas quero que saiba que me esforçarei todos os dias para ser esta pessoa. Não esperava sentir o que estou sentindo por você e não quero simplesmente ignorar isso como fiz tantas vezes...
Segurei sua mão, foi neste momento que percebi o quanto as minhas estavam tremendo. Minhas orelhas queimavam e seus olhos ficaram arregalados quando me ajoelhei e de joelhos olhei fixamente para seus olhos e disse:
- Emerson, estou aqui agora, de frente para você para mostrar o quanto estou entregue a você. Quero que a partir de hoje, sob esta arvora que foi o cenário do surgimento de tudo o que sinto por você, eu possa te chamar de meu e ser seu. Emerson, você quer namorar comigo?
Minhas pernas ainda estavam bambas e minhas mãos suavam nas suas esperando sua resposta. Ele resolveu não falar nada, apenas endireitou os óculos em seus olhos, se ajoelhou diante de mim e olhando para os meus olhos na mesma altura dos seus disse:
- Realmente não esperava algo assim, tão inusitado de sua parte. Você é incrível e conhecer você durante este período me fez acreditar em alma gêmea, em alguém que pudesse fazer dos meus dias mais bonitos e felizes. Não preciso responder sua pergunta, até porquê para mim, já estávamos namorando. Sei que oficializar isso é uma forma de concretizar e começar a somar os dias de felicidade. Gustavo, é lógico que aceito ser seu namorado.
Neste momento ele me beijou. Minha mão direita procurou sua nuca, enquanto a esquerda não soltava sua mão direito. Nos beijamos por pouco tempo, meu corpo ainda tremia quando ouvi palmas e gritos eufóricos ao nosso redor. Quando abrimos os olhos, o bloco estava repleto de pessoas que aplaudiam, gritavam, filmavam ou batiam fotos de nós dois. Fiquei sem saber o que fazer naquela situação. Já o Emerson se levantou, me ajudou a levantar e de mãos dadas, tentamos sair do meio das pessoas como se nada tivesse acontecido. Ele foi surpreendido por algumas colegas de curso que o abraçava e me olhavam com olhos brilhando. Tentei ser educado da melhor forma possível tentando disfarçar o constrangimento. Logo em seguida todos se dispersaram e fomos embora. Com a mochila do Emerson nas costas, fomos até o ponto de ônibus. Lá, mesmo fingindo sermos apenas amigos, eram inevitáveis os sorrisos e comentários sobre nós dois. Ele tentava ignorar a todos olhando para mim e falando sobre como eu fui louco em fazer aquilo. Nem eu sabia ao certo o motivo, a única certeza que tinha, era da minha vontade de gritar ao mundo que nas minhas costas, estavam os pertences do cara mais lindo da Ufu, de Uberlândia, de Minas, do Brasil, do mundo e que era a partir daquele momento, meu namorado. Nos despedimos com um beijo e quase que não soltava sua mão. O vi ir embora com o coração na mão. Não queria me separar dele nunca mais, mas tinha que deixá-lo ir. A única coisa que me confortou, foi saber que em poucas horas o veria passar mais uma vez por mim do outro lado do vidro no trabalho com o sorriso mais lindo do mundo.
Cheguei em casa radiante e quando entrei no quarto o Niel nem tinha se movido. Era estranho imaginar que ele passou todo este tempo enfurnado naquelas páginas sem movimentar um dedo além do que passavam as folhas.
- Então... Encontrou seu futuro namorado?
Me deitei e fiquei sonhando com todo o que tinha acontecido e respondi:
- Sim, mas agora ele não é mais meu futuro namorado. É meu atual.
Me assustei com o barulho que o livro fez ao ser fechado. Olhei para o Daniel e o vi apenas tirando todos aqueles materiais de estudo da cama e se virando para a parede.
- O que houve?
- Nada, só estava esperando você chegar para dormir.
Era nítida sua reação estranha, só não soube identificar se era raiva, ciúme ou apenas coisa de minha cabeça. Preferi fingir que não havia percebido nada. Desejei boa noite, apaguei a luz do quarto e dormi com um sorriso no rosto e o coração batendo mais forte.
Espero que Gustavo saiba o que está fazendo. Ele está ciente de seus assuntos inacabados com Felipe, mesmo que o mesmo tenha desaparecido. E niel? Bem, os dias de WebCam parecem terminados, e pode ser por isso que ele ficou "chateado". Mas tambem penso na possibilidade de um ciumes rs. Será que niel gosta de gustavo?? HaHa, e o leonardo? Como realmente fica isso tudo?? Prevejo bombas a seguir. HaHa
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