domingo, 10 de novembro de 2013

12 - Violeta - Surpresa e medo.

Com o passar do tempo, as coisas aparentavam estar entrando nos eixos. Vinha me dando bem no trabalho e minhas horas vagas ficaram divididas entre ler romances enquanto o Emerson assistia aula e sair com ele. Aliás, amo ler, mas sair com o Emerson sem dúvida era a melhor parte dos meus dias. Ficamos comendo nos sebosões de beira de esquinas para no começo do mês sairmos para comer em restaurantes caros apenas para saciar nossos desejos de comer algo mais requintado. As vezes achava muito confortável o fato de não ter conhecido ninguém de sua família ou seus amigos. Isso não me incomodava e ele também nem toca no assunto. Nossos programas em geral eram assim, mas de vez em quando íamos ao parque do sabiá, ficávamos em baixo de algumas árvores, deitados em gramas e as vezes trocávamos beijos discretos. Ele ainda não se sentia a vontade em ir lá em casa. Não conseguia esconder dele a estranheza das atitudes do Niel naqueles últimos dias... Daniel simplesmente evitava de falar comigo, vivia de cara amarrada e passava mais tempo fora de casa do que qualquer outra coisa. Achava estranho  ele não ficar mais naquelas salas de bate papo e quando o via fazendo aquilo, geralmente era porque já estava fazendo quando eu chegava. Eu ficava do lado de fora do quarto esperando ele terminar. Percebia as expressões dele. Parecia que fazer aquilo não tinha mais graça. Se tornou mais uma coisa por obrigação do que por prazer. Sem dúvidas a nossa convivência estava abalada e eu simplesmente não sabia o que fazer para mudar aquilo. Era difícil esconder minha felicidade em ter o Emerson como namorado.
Sabia que estava bom demais para ser verdade. Alguma coisa iria acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. Só não esperava que fosse justamente naquele dia. Num domingo em que nossas folgas bateram e o Emerson não tinha muita coisa para estudar, resolvemos pegar um cinema e depois comer na praça de alimentação do shopping mesmo. Não esperava vê-los ali. Parecia que tinha sido combinado. Estávamos eu e o meu namorado andando em direção a saída do Uberlândia shopping, quando em minha frente surgem o Felipe, Leonardo e para minha surpresa o Niel. Eles estavam sorrindo, demonstrando uma felicidade que me deixou boquiaberto. O Leonardo não parava de tocar o Felipe, já este não tirava as mãos da cintura do Niel, que estava sorrindo e olhando para o Leonardo com um sorriso descarado que só usava em seus vídeos na internet. Eles aparentemente estavam bêbados e o Emerson não achou nem um pouco interessante minha reação. Paralisei com aquela cena. Quando enfim nos viram, cada um teve uma reação diferente. Consegui captar cada uma delas. O Leonardo me olhava com o queixo levantado, demonstrando uma superioridade que não existia, o Felipe me olhou confuso, mas fazendo questão de mostrar que o Niel estava onde, para ele, deveria ser o meu lugar. Já o Niel não conseguia me olhar nos olhos, apenas aceitava as mãos dos outros dois em seu corpo sem coragem para se quer afastá-las. O Emerson estava bufando, sabia quem era o Niel e pelo que percebi, seu ciúme foi notório devido achar que eu estava enciumado pelo Niel. Minhas pernas tremiam e minhas orelhas queimavam. Sem exitar, o Emerson  me apertou o braço e puxou para que passássemos por eles o mais rápido possível. Eles fizeram o mesmo, mas o Leonardo não poderia perder a oportunidade de falar no mesmo instante que estávamos passando uns ao lado dos outros:
- Vamos embora meninos, que para o que iremos fazer daqui a pouco, este lugar está "careta" demais.
Abaixei a cabeça e já no ponto de ônibus vazio o Emerson me olhava com os olhos exalando fogo e disparou a reclamar da situação. Não tive como esconder mais e contei tudo o que aconteceu comigo, o Felipe e Léo. Ele não falava nada, apenas ouvia tudo com a cabeça baixa. Quando terminei, ele estava sentado olhando para o chão, com os braços apoiados nos joelhos. Não falava comigo e não respondia minha perguntas. Resolvi me ajoelhar em sua frente para conseguir ter acesso a seu rosto. Meu coração trincou quando vi que sua boca tremia e em seus olhos escorriam lágrimas. De imediato os que encheram de água foram os meus. Tentei segurar suas mãos, abraçá-lo, mas eles apenas evitava ficar virado para mim e me afastava de seu corpo. Pedia de todas as formas para que ele entendesse que tudo o que fiz, foi antes de conhecê-lo, mas foi em vão. Emerson apenas pediu para ficar só, que precisava pensar. Não tive coragem de entrar no mesmo ônibus que ele quando ouvi de sua boca que  não queria me ver, que quando estivesse preparado me procuraria. Desabei no ponto de ônibus quando o vi embarcar sem olhar para trás enquanto limpava do rosto as lágrimas que insistiam em cair.
Naquela noite o Niel não dormiu em casa, o que já era de se esperar, Mandei mensagens tanto para o ele, quanto para o Emerson. Nenhum dos dois me responderam. Passei a noite quase toda em claro, ouvindo entre as mais melancólicas de Elis e Marrom.
Quando acordei, meus olhos estavam inchados e a moleza tomava conta de meu corpo, não queria ir trabalhar. Preferia ficar em casa deitado e me torturando olhando para o telefone, na esperança de receber ao menos uma mensagem do Emerson. Tinha certeza que ele me evitaria no trabalho, que arranjaria alguma forma de não passar pelo corredor onde geralmente dávamos nossos tchauzinhos diários. Fui trabalhar e fiquei atendendo os clientes sem o menor sorriso na voz. As horas não passavam e até atenção fui chamado pelo Olávio, que apenas me olhava com aquele olhar de que sabia muito bem o que estava acontecendo comigo. Meu mundo parou e tive sorte de não estar em ligação quando o vi passar. Ele estava com uma colega de trabalho, evitava olhar para o meu lado do corredor e suas olheiras eram tão notórias quando as minhas. Nossos olhares se cruzaram quando de relance, olhou em minha direção. Ele apenas sorriu e abaixou o olhar tristonho. De repente, a sensação estranha de estar perdendo o meu mundo surge.
O ápice eram seus sorrisos, que para mim, não era mais o mesmo,era menos espontâneos e menos meu. Então me olhou novamente e sem mudar e expressão moveu os lábios lentamente para que eu pudesse entender o 'Eu te amo' que dizia. Abaixou novamente a cabeça e sumiu com sua amiga de meu campo de visão.

Um comentário:

  1. Gustavo não se deu mal :-/ haha zuando.
    As coisas sempre vêm á tona, é fato.
    Estou surpreso do fato de gustavo nao ter ficado balançado com a cena de ver felipe agarrando niel. Foi algo mais como "UAU, EU CONHEÇO AQUELE CARA." Nao consegui ver muita emoção da parte dele. E niel ein, eu sabia que ele iria aprontar alguma. Mas que descarado, vingança?? CIUMES??? Qual o problema dele?? Filho da put* :-@
    E emerson, claro eu entendo. Quer dizer, nao muito. "Eu te amo"???? Já que é assim ne...ok :-P diguénada.
    Kkkk
    Mas e gustavo?? Sei não, ta tudo muito bonito e bom de mais. (Quer dizer, estava).
    Será que teremos de volta um personagem pra dar continuacao a esse drama de novela mexicana?? Espero ansiosamente por ela, ou será ele? Pode ser os dois gênero kkk

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