sexta-feira, 25 de outubro de 2013

10 - Do Preto ao Verde - Surpresas.

Ainda estava deitado olhando para telhado enquanto o Niel ficava falando sobre nossa performance, sobre os comentários e no que aquilo representava em ganhos financeiros, quando recebi uma mensagem com os dizeres:

"Adorei seu desempenho.
Ass.: Felipe."

A voz do Daniel já estava longe e quando li aquela mensagem o mundo simplesmente silenciou. Não sabia se aquela mensagem era pura ironia e ele estava extremamente decepcionado comigo ou eram uma confirmação do que o Leonardo falou. Saber que o Felipe me viu com o Niel na cama, não refletia apenas em estar ou não decepcionado comigo. Alguns questionamentos entraram com força em minha mente e não queriam sair... 'O que ele estava fazendo vendo aquele vídeo? Como descobriu sobre ele? Será que andava visualizando o Niel a muito tempo? Nossa, será que o Niel sabe que tem gente de Uberlândia o visualizando?' Muitas perguntas estavam sem respostas. Contei para o Daniel o que estava acontecendo e foi notória sua expressão de desespero. Ele ficou tão perplexo e preocupado que seus olhos se arregalaram, sua pele ficou tão pálida que me levantei e fiquei olhando para ele com preocupação. Estava só esperando que desmaiasse para pedir socorro. Ao invés disso, apenas se deitou e calou. Não falamos mais nada um para o outro e fomos nos deitar.
Os pássaros já estavam cantando lá fora e a claridade do Sol começou a entrar no quarto pelas brechas da janela. Meus olhos não conseguiram fechar em momento algum quando ouvi o Niel perguntando se eu estava acordado. Assenti apenas com um sussurro. O Daniel estava igual a mim, perdido em pensamentos quando seu despertador começou a tocar. Ele apenas o desligou e permaneceu deitado. Dez minutos depois e ele ainda não havia levantado. Perguntei se não ia para a aula e sua resposta foi apenas a confirmação do que imaginava. Sua vergonha e medo de ter sido reconhecido pelos seus colegas de faculdade o deixaram sem ações. Pela primeira vez o vi abatido e sem ânimo de ir para estudar. Diferente do Niel, tive que me levantar e enfrentar o mundo lá fora. Achando que todos ao meu redor sabiam o que tínhamos feito na noite passada, tentei manter minha rotina e  ignorando minha imaginação que criava pessoas que ficavam me observando com olhares acusadores. Passei o dia fingindo que estava tudo bem. 
No trabalho, fiquei sentado na hora do meu intervalo sem ânimo de sair da minha posição de apoio. Sentado e olhando as pessoas passarem por trás do vidro, vi algumas indo para o banheiro, chegando para trabalhar e outras indo embora. Depois de uns quinze minutos percebi alguém me olhando pelos cantos dos olhos enquanto passava. Fiquei sem graça e abaixei a cabeça. Não sabia porque ele tinha me olhado, a única hipótese que me passou pela cabeça, foi de que tinha me visto naquela maldita sala na internet. Quando levantei a cabeça, ele já não estava mais lá. Minha garganta ficou seca e fiquei com vontade de lavar o rosto. Me levantei, fui direto ao banheiro, entrei em um dos boxes, me sentei no vaso sanitário e fiquei pensando no que fazer diante daquela mensagem do Felipe. Não entendia o motivo de ele ainda não ter dado sinal de vida. Olhei no relógio e vi que faltavam poucos minutos para acabar minha pausa. Suspirei, me levantei, dei descarga para dar a impressão que estava usando o box para sua real função e abri a porta. Quando saí, vi o garoto que havia me olhado minutos antes diante de mim. Ele estava lavando as mãos e pelo espelho me viu parado na porta do box. Seu rosto esboçou um sorriso, enxugou as mãos com um papel toalha e se virou para mim enquanto eu lavava minhas mãos.
- Oi?! Sou o Emerson.
Não entendo porque sempre fico sem saber o que fazer quando alguém que não conheço começa a falar comigo. Apenas continuei lavando minhas mãos e olhando para ele pelo espelho respondi:
- Oi, o meu é Gustavo.
- Notei que você ficou vermelho quando me viu te olhando lá fora.
Enxuguei minhas mãos no papel toalha e me virei para ele tentando saber o que dizer para poder sair daquele lugar o mais rápido possível. Estava na cara que ele tinha visto o vídeo. Não havia outra razão para aquela reação repentina ao me ver.
- É que não tenho o costume de ver ninguém olhando para mim.
Tentei demonstrar simpatia e me virei para passar em direção a saída, mas o Emerson me segurou pelo braço e falou baixo:
- Por que você não relaxa um pouco e me deixa te ajudar com isso?
Virei meu olhar para seu rosto e mesmo com suas palavras ameaçadoras, sua expressão era de pura doçura e sinceridade.
- Vamos fazer assim... Saiu às vinte horas. Vou te esperar lá fora. Assim conversamos um pouco.
Com um sorriso desconcertado me soltou e disse que sairia meia hora antes de mim, mas que ficaria me esperando.
Antes de sair, olhei para trás e vi o Emerson olhando para mim com a cabeça um pouco baixa e com as mãos nos bolsos de sua calça jeans. Emerson tinha minha altura, tinha um pouco mais de corpo que eu, seu quadril era largo e sua bunda era marcada pela calça justa. Seus cabelos eram curtos loiros e bem penteados. Tinha olhos azuis e sua pele era de um branco pouco bronzeado pelo Sol. Sem dúvida achei aquele cara uma gracinha. Sorri e sumi de seu campo de visão enquanto saía.
Depois que me sentei para voltar a atender ligações, vi o Emerson passando pelo outro lado do vidro, olhou e sorriu discretamente para mim. Retribui sorrindo e fiquei com ele na cabeça até a hora de ir embora. Já na saída o vi sentado, com seus olhos compenetrados em um livro que de longe reconheci a capa, "Anjos e Demônios, do Dan Brown". Já havia lido aquele livro à alguns anos e amava a história. Sentei ao seu lado, esperei que notasse minha presença. Logo em seguida, marcou o livro com  um marcador, guardou em sua mochila e sorrindo se virou para mim, apoiou o braço no encosto do banco de madeira e colocou a mão no rosto. Seus olhos brilhavam e meu coração pulava com tanta delicadeza e doçura em minha frente.
- Então, queria que me desculpasse pela forma que te tratei lá dentro. Juro que não sou destes que faz sacanagens em banheiros públicos. Só não soube o que fazer, tive medo de não ter outra oportunidade de ficar a sós com você. Agi sem pensar.
- Tudo bem... Percebi o tremor de sua mão em meu braço. Se você tivesse visto como seu rosto estava rubro, garanto que faria o mesmo que eu.
Emerson ao longo de nossa conversa demonstrou ser o oposto do que aparentou no banheiro. Com certeza sua personalidade era muito forte, era decidido e conversava sobre vários assuntos com propriedade. Suas palavras eram inteligentes e seu raciocínio era muito lógico. Seus dezenove anos sem dúvida foram muito bem aproveitados. De vez em quando o tocava no braço com meus dedos e notoriamente ele ficava constrangido. Quando olhei no relógio, já eram dez e quarenta. O tempo tinha passado tão rápido que não havíamos notado. Sem querer, nos despedimos ali mesmo e quando fui abraçá-lo, ele me apertou com força, disse que foi muito bom conversar comigo e sem entender sua reação, ele olhou para todos os lados possíveis, virou para mim em me deu um beijo. Seus lábios eram macios, quentes e doces. Por um momento pensei estar beijando um anjo. Fechei meus olhos e deixei que a situação tomasse conta do momento. Depois que nos despedimos, fiquei com seu sorriso na cabeça e pensei como é bom ser o motivo da felicidade de alguém, nem que seja por alguns instantes.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

9 - Infra Vermelho - Deixando o fogo queimar qualquer dúvida.

Já passavam das vinte e três horas quando houvi o barulho da chave do Niel girando a fechadura da porta da sala. Continuei deitado com os braços na nuca e olhando para o teto. Não me virei para cumprimentá-lo quando o percebi entrando no quanto. Vendo que ainda estava acordado, Daniel me cumprimenta, joga sua mochila no canto próximo ao pé de sua cama, se senta virado para mim e tirando a roupa puxou assunto:
- Ainda acordado? O que será que está fazendo você perder o sono até uma hora destas?
- É que recebi uma visita que me deixou muito confuso.
- Ah Gu, você também em? Fica falando de mim mas não sossega com ninguém, vive cheio de encontros por aí. 
Então comecei a explicar quem era o Leonardo, o que ele é e foi do Felipe e o que ele me disse. Daniel apenas escutava tudo enquanto tirava sua roupa ficando apenas de cueca. Particularmente, fiquei um pouco perdido quando sem nenhum pudor, ele tirou a calça esticando as pernas em minha direção, marcando todo o volume em sua cueca apertada. Tentei manter o foco no que estava falando e olhando para o teto. Daniel pulou em cima de mim e me assustei com sua ação repentina. Sem esperar, aquele garoto com seu corpo desejado por tantos pela internet estava sobre mim, encostando todo seu corpo suado no meu. Fiquei parado, olhando em seus olhos, que estavam um pouco fechados devido ao seu sorriso inocente e espontâneo. Ele apenas ficou me olhando por alguns instantes e depois encostou seus lábios nos meus em um beijo rápido e disse:
- Acho que você deveria parar de se preocupar tanto com sentimentos e fazer o que tem vontade. Tenho certeza que do mesmo jeito que você está ficando excitado agora, você ficaria com estes caras. Olha, se eles querem te levar para a cama, e você também está com vontade, então aproveita. Agora me deixa tomar banho, por que também estou começando a me excitar com o pulsar do seu brinquedinho no meu.
Então, Niel me deu outro beijo e se levantou correndo para o banheiro. Do mesmo jeito que estava quando ele pulou sobre mim, fiquei. Ainda perplexo com minha excitação instantânea e um tanto com vergonha. Não sabia se sorria ou se me tocava diante da cena que havia acabado de participar. 
- Gustavo, você acha melhor eu ficar pensando em você aqui no banheiro ou prefere que eu use minha imaginação na prática?
- Cala a boca Niel. Deixa para desperdiçar seu gozo com os velhos que fazem o mesmo olhando para você na internet.
Na mesma hora o Daniel deu uma gargalhada e falou que nem todos eram velhos, que tinham caras jovens e com corpos esculturais que pagavam para vê-lo. Fiquei pensando se conhecia algum deles, quem eram o porque pagavam para ver aquilo do outro lado da tela. Ainda estava perdido em pensamentos quando o Daniel entrou no quanto apenas coberto pela toalha e completamente molhado. O que me deixou completamente excitado, vendo aquelas gotas d'água escorrendo por todo seu corpo completamente definido. Sem dúvidas eu invejava cada músculo de suas costas e a perfeição de sua bunda, que eram redondas, empinadas e sem um fio de pelo se quer. Fingi indiferença e falei:
- Não entendo porque não usa a toalha para se enxugar e pára de molhar a casa toda vez que sai do banheiro.
- Cala a boca, que hoje você vai me ajudar com meu trabalho virtual.
Fiquei extremamente curioso com suas palavras e apenas fingi ignorar.
- Nem adianta fingir que não ouviu. Já faz mais de uma semana que agendei para hoje uma cena com alguém. Claro que será com você. A culpa não é minha se você foi tão convincente em nossa primeira experiência.
Fiquei pensando se ele se tocou no quanto representavam aquelas palavras: "Primeira experiência". 
- Bom, Gustavo. Daqui a alguns minutos vou começar a cena. Vou apenas confirmar que teremos sua participação hoje e esperar uns minutos para a novidade se espalhar e aumentar o número de acessos. 
Ele falava sério enquanto colocava seu plano em prática digitando em seu pc.
- Você vai ficar ao lado do computador apenas para ligar a exibição quando eu voltar molhado do banheiro, vai virar a câmera para mim e me seguir com ela até me posicionar em frente a cama, deixando de fundo uma parte da porta do quarto. Você vai deixar uma parte da porta sem aparecer para que possa sair e aparecer no canto da imagens olhando para mim. Depois disso você sabe o que fazer.
Prestei atenção em cada uma de suas palavras e tentei fazer tudo da forma que ele planejou. Liberei as imagens quando ele estava vindo e escorrendo gotas de água por todo o seu corpo. Daniel vinha na direção da câmera lentamente, demonstrando uma naturalidade digna de ator. Sem dúvidas ele interpretava muito bem aquele papel pervertido, que não combinava nem um pouco com a aparência que demonstrava para o mundo lá fora. Por conta própria, fiquei dando zoons em seu corpo, seguindo cada movimento planejado se seus dedos sobre ele. Então tirei o zoom, deixei na posição planejada e saí do quarto pelo canto para não aparecer na imagem. Confesso que já estava excitado e não foi nem um pouco difícil demonstrar excitação e desejo por aquele corpo nu e molhado em minha frente. Apareci no cando da imagem pela porta, ele demonstrou ter percebido minha presença e esboçou um leve sorriso em frente a câmera olhando para mim. Me aproximei, sem saber onde pôr minhas mãos. Daniel apenas se virou, me olhou nos olhos, segurou meus braços e deixando sua toalha cair, puxou meus braços em sua direção. Em reflexo segurei suas costas. Não conseguia tirar os olhos dos dele e sorrindo ele falou baixinho:
- Vamos para a cama e fingir uns amassos...
Não sei se foi meu desejo ou o calor do momento, mas suas palavras soaram como uma abertura e apertei seu cabelo com força. Daniel abriu a boca com a leve dor causada e serrou os olhos. Aquela cena me deixou cego, não pude simplesmente ignorar todo meu fogo e encostei meus lábios nos dele, minhas língua passeava dentro de sua boca e roçava na dele. Daniel envolveu seus braços em meus ombros, me abraçando com força e respirando cada vez mais ofegante. Ficou notório seu desejo e a ardência de meu corpo apenas aumentava. Minhas mãos deslizavam pelas suas costas, e apertavam cada centímetro. As pernas dele subiam e desciam constantemente. Parecia que estava tentando montar em mim, que estava rígido e não parava de movimentar meu quadril em direção ao seu corpo. Em um movimento rápido e usando toda sua força, Daniel me segurou pelo braço, me jogou em cima se sua cama e nela ficou de joelhos. Puxou minhas pernas cada uma para um lado, colocando seu corpo no meio. Ainda não sabia qual era sua intenção, mas aceitei e observei seus movimentos. Daniel levantou minhas pernas com cada um dos braços e desceu sua língua da parte inferior da minha coxa esquerda passando pela minha virilha, escorregando pelas minhas bolas e repousando em meu traseiro. Sua boca passeava entre beijos, gemidos e lambidas molhadas. Não conseguia olhar para ele, fiquei de olhos fechados sentindo sua boca em mim até sentir seu dedo entrar na brincadeira. Fiquei assustado com o que ele estava pretendendo. Sem esperar, ele começou a subir sua boca, passando novamente pelas minha virilha e segurando meu pênis, lambeu e cuspiu na cabeça deixando sua saliva escorrer. Niel gemia de uma forma que com certeza excitaria até um cego que estivesse com aquela imagem ligada no computador. Sua cabeça subia e descia enquanto sua respiração ofegante se misturava com seus gemidos e dedos que deslizavam pelo meio de minha bunda. Sem dúvidas eu estava em êxtase e rompendo meus gemidos gritei com seu dedo que me penetrava aos poucos e olhando para ele com olhar de súplica não tive forças para alertá-lo, apenas gemi e prendi a respiração quando todo meu gozo jorrava para dentro de sua boca. Seu dedo repousou dentro de mim enquanto eu contraía a cada jato que saía. Niel apenas esperou pacientemente com leves gemidos cada gota sair. Por fim, soltei o ar preso em meus pulmões com alívio e ainda respirando ofegante, Daniel cuspiu todo meu gozo de sua boca em minha barriga, limpou o canto da boca com seu polegar e sorrindo, colocou seu joelho em cada lado de meu corpo, deixando seu pênis bem próximos a mim e disse:
- Agora é a minha vez.
Aquelas palavras me estimularam à apenas levantar minha cabeça em direção ao seu quadril. Com um braço apoiei o peso de meu corpo e com o outro deslizava minha mão pelas suas pernas, bunda e barriga. Era notório seu excitação quando minha mão deslizava em seu corpo e abusei disto enquanto ele se masturbava olhando para mim. Seu quadril se movimentava como se estivesse penetrando um corpo em sua frente e de repente, sua mão que esfregava seus mamilos segurou minha nuca e apertando meu cabelo, gozou em cima de mim. Fiquei de olhos fechados e boca entreaberta. Senti seu esperma quente e espeço escorrer pelo canto de meus olhos, entrar em minhas boca e outros foram jorrados com tanta pressão que só depois percebi que escorriam pela parede e outros melaram meus cabelos. Assim que terminou, ele me olhou, sorriu, me beijou e se virou para desligar a sala. Ainda de costas para mim Daniel sorrindo disse:
- Acho que acabamos de conseguir o dinheiro do aluguel de pelo menos três meses.

domingo, 20 de outubro de 2013

8 - Preto - A força da terra e a escuridão da incerteza.

Logo pela manhã, acordei ansioso e preocupado. Tive um sonho muito estranho. Nele, uma ex que deixei em Natal estava triste e no sonho, olhava para mim falando que nunca tinha me esquecido, que queria viver ao me lado para sempre, como em nossos planos passados. Fiquei com aquilo na cabeça durante o dia todo. No trabalho, Otávio me questionou o que estava acontecendo, mas minha angústia era tanta que nem com ele consegui desabafar. Já estava voltando para casa quando meu telefone toca e nele, apareceu o nome do Leonardo. Foi aí que lembrei de nosso encontro. Atendi depois de alguns instantes pensando no que dizer:
- Alô?
- Oi, Gustavo. já está saindo do trabalho?
- Já sim, estou quase na estação.
- Então me espera na saída do Shopping, estou chegando.
- Ok, mas não sei se vou querer sair hoje. É que não estou muito bem.
- Podemos apenas conversar um pouco, posso te deixar em casa, sei lá.
- Tudo bem, não quero furar com você por causa disso. Te espero, então.
- Beleza. Até já.
- Até.
Fiquei esperando pelo Léo por uns dois ou três minutos. Assim que se aproximou, notou logo minha expressão desanimada:
- Nossa. Você realmente não está com interesse de sair.
- Estou bem... Para onde vamos?
- Que tal conversarmos um pouco por aqui mesmo?
- Não sei... Passei o dia aqui dentro. Se quiser, podemos ficar um pouco lá em casa.
- Pode ser, mas vamos primeiro lá dentro para comprar algo para jantarmos.
Apenas assenti sem falar nada. Fomos direto para a praça de alimentação, compramos pizza com refrigerante e voltamos para a entrada do shopping em direção a estação para irmos para minha casa. Chegando lá, deitamos os dois no meu colchão, jantamos e ficamos ouvindo música, mostrei fotos, bandas e o mapa de Natal. Aquilo me fez lembrar tanta coisa que minha depressão apenas aumentou. Comentei com o Leonardo que aqui em Udia as coisas não estão sendo muito positivas e não sei por quanto tempo irei suportar esta situação. Falei que aqui estou longe de todos que me amam e mesmo sabendo que conheci pessoas maravilhosas, não posso simplesmente desconsiderar minha saudade daqueles que conviveram comigo por anos. Disse que adoro as pessoas que conheci aqui, mas as conheço apenas a três meses, muitas a bem menos tempo e querendo ou não, estava só. Fico pensando se voltar não seria mais fácil, estar perto de minha família de sangue e adotada, não tornariam as coisas muito mais fáceis. Leonardo apenas ouviu tudo de cabeça baixa, sem saber o que dizer. Afinal eu estava jogando muitas coisas em cima dele e ele mal me conhecia. Então, me segurou pelo braço, me puxou ao seu encontro e falou:
- Sei que você mal me conhece, mas nem que eu coloque uma algema em seu braço, mas não te deixo ir. Pelo que entendi, você veio no intuito de recomeçar... É exatamente isso que você está fazendo e no que depender de mim, seu objetivo será alcançado.
Leonardo tinha uma expressão de esperança muito grande nos olhos e não consegui ficar sério. Esbocei um sorriso amarelo, que fez com que seus olhos brilhassem. Então me abraçou com toda força e carinho que pode. Foi impossível não me sentir acalentado naqueles braços. Ficamos uns instantes naquela posição, até que ele começou a afagar meus cabelos e segurou minha cintura, exatamente como o Felipe fazia. Aquela situação me fez ficar constrangido e minhas orelhas começaram a pegar fogo. Segurei o braço do Léo e me afastei.
- Desculpa, Léo. É que não posso ficar assim com você.
- Por que não? Não estamos fazendo nada de errado.
- Na verdade eu estou. Sei que ele não te contou, mas não posso fingir que não estamos juntos. É que eu e o Felipe...
Leonardo não me deixou terminar e com um olhar sério me interrompeu:
- Sei que vocês estão juntos. Percebi pelo jeito que ele te olhava.
- Então por que você aceitou sair comigo? Por que você ficou dando em cima de mim daquela forma na internet?
- Fiz isso porque me interessei em você e não ia ignorar meu interesse só porque você está com um cara que não vai te fazer bem.
Fiquei confuso com suas palavras. Tirando o dia que conheci o Léo, em momento algum o Felipe me fez mal, pelo contrário, suas atitudes me traziam tanta felicidade que acabei acreditando que ele fosse o único motivo real de me fazer ficar aqui. Continuei em silêncio, apenas ouvindo suas palavras:
- Conheço o Felipe, ele não te apresentou como namorado por que é muito safado. Tenho certeza que ele não quer que esta informação se espalhe. Se tiver oportunidade, olhe o celular dele. Aposto que está cheio de mensagens de amor com vários caras.
Fiquei perplexo com as palavras do Leonardo e não soube o que dizer. Apenas abaixei a cabeça e me sentei novamente. Leonardo se sentou ao meu lado, repousou seu braço em meus ombros e prosseguiu:
- Tenho certeza que depois que ele te levar para a cama, sua atenção vai acabar e você vai ser apenas mais um troféu em sua parede com tantas pessoas incríveis que ele usou, jogou fora e deixou o coração partido.
- Ainda não estou acreditando nisso que você está dizendo, Léo. O Felipe é tão atencioso e cuidadoso comigo.
- Ele é um mestre na arte da conquista, isso não e novidade nenhuma. Não estou aqui para te convencer do contrário. Apenas não estaria sendo honesto com você se não te contasse. Posso esperar o momento certo para investir em você. Respeito suas escolhas e quero que saiba, estou por perto, qualquer coisa é só me chamar.
Então, Leonardo beijou meu rosto e se levantou afirmando que já estava na hora de ir embora. Me levantei para acompanhá-lo até o ponto de ônibus. Não demorou muito e este apareceu na esquina algumas ruas acima. Olhei para o Léo com ar de despedida e ele me abraçou com força e encostou meus lábios no seu até ouvirmos o som do ônibus se aproximando e disse:
- Não esquece que estou por perto. Qualquer coisa, sabe onde me encontrar. Beijo.
Sorri sem mostrar os dentes e dei tchau com uma das mãos na altura dos ombros. Fiquei parado, apenas olhando ele ir embora. Sem dúvida a semente plantada em minha mente foi muito bem regada pelas palavras do Léo e voltei para casa me perguntando quem era o Felipe e o que estava fazendo em Uberlândia.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

7 - Verde limão - Semente plantada.

Mais uma semana já estava se passando e eu continuava ignorando o Felipe. Não sabia se estava fazendo isso ainda pela raiva da forma que fui tratado ou por causa do que fiz no final de semana anterior. O fato é que não estava nem um pouco preparado para encará-lo. O Leonardo continuava falando comigo pela internet e vez ou outra investia com indiretas que passavam longe da descrição. Meus dias basicamente eram divididos entre ler, dormir, conversar um pouco com os amigos pela internet e trabalhar. Confesso que estava até me acostumando com esta rotina, quando voltando para casa depois de mais um dia de trabalho, me deparei com o Felipe sentado em um dos bancos de madeira na entrada da empresa. Meu nervosismo foi notório e fiquei parado sem saber o que fazer. Ele acabara de me ver e não poderia simplesmente voltar. Tive que seguir em frente. Juro que tentei passar por ele fingindo que não tinha o visto ou qualquer outra coisa, mas o Felipe percebendo que não iria falar com ele, me segurou com tanta força pelo braço que muito antes de gemer de dor, olhei para meu braço e só depois direcionar meu olhar para ele. Felipe nem me deixou falar e já foi empurrando suas palavras sobre mim:
- O que é que está acontecendo Gustavo? Por que você está me evitando deste jeito? Cara, já farão duas semanas que você não atende minhas ligações, que não retorna minhas mensagens. O que é que tá acontecendo com você?
A cada palavra, ele aumentava o tom de voz e espremia meu braço. Todos estavam olhando para nós dois, o que aumentou ainda mais meu constrangimento.
- Calma Felipe, vamos sair daqui e conversar, você está fazendo uma cena.
- Não estou nem um pouco preocupado com isso, quero apenas uma explicação. Garanto que se ela não for boa, sumo de uma vez de sua vida. Já que pelo que está parecendo, é o que você quer.
- Olha, vamos conversar, mas não aqui, por favor. Agora me solta.
Puxei meu braço com toda força que tive e tentei esconder meu nervosismo com a maior expressão de raiva que pude usar naquele momento.
Fomos para uma praça que fica do outro lado do shopping, por trás de uma igreja evangélica. Nem esperando sentar, Felipe pergunta:
- Pode me falar agora o que está acontecendo? Não é normal uma pessoa começar um relacionamento e com poucas semanas já sumir desta forma. Cara, se somos namorados, você me deve explicações.
- Em primeiro lugar, este lance de ser seu namorado ainda nem entrou direito em minha cabeça. Eu estava bêbado quando te pedi em namoro, nem sei por que você acreditou nisso.
- Então quer dizer que você não quer namorar comigo, que perdi meu tempo, que você estava apenas brincando comigo e agora que enjoou está me dispensando?
- Não foi isso que eu quis dizer, Felipe...
- Mas é o que está aparentando.
- Cara, me deixa falar. Depois que terminar você fala o que quiser.
Então comecei a explicar o que estava se passando em minha cabeça sem olhar para ele um minuto.
- Não gostei nem um pouco da forma que você me tratou na frente do Leonardo. Você ficou tão empolgado com a presença dele que praticamente esqueceu de mim.
Ele tentou falar, mas pedi que me deixasse terminar:
- Você nem se quer me apresentou como seu namorado. Tive que saber por ele que vocês já tiveram um caso. Não sei o que se passa ela sua cabeça, mas garanto que naquele momento, não passou em me apresentar como namorado.
Você sabia que o Léo me adicionou no Face?
- Não me importa o que ele pensa. Não te apresentei como meu namorado porque pensei que você fosse ficar constrangido se o fizesse.
- Eu ficar constrangido por que você me apresentou para um ex seu como seu atual? Você só pode estar de brincadeira, né?
- Não imaginei que você fosse se importar tanto com isso, nem ligo pra isso. Se quiser, ligo para ele agora e falo que você é meu namorado. Se for este o problema.
- Deixa de ser ridículo, a oportunidade que você teve já passou, agora não adianta nada. Ou será que você só pensou em fazer isso só porque falei que ele me adicionou?
Felipe começou a sorrir. Seu sorriso parecia mais como deboche do que qualquer outra coisa.
- Do que você está rindo? Está achando que estou inventando isso?
Minha raiva era tanta que tive vontade de voar em seu pescoço, mas não adiantaria nada. Apesar de ser magro, Felipe era bem mais forte do que eu.
- Só não passa pela minha cabeça, o Léo querer alguma coisa com você. Tu não faz o tipo dele, Gustavo.
- Olha, não quero mais falar sobre isso. Já estou de saco cheio desta história e você não está ajudando nada.
- Você é ridículo, Gustavo. Como você pode sumir desta forma por causa de uma besteira destas?
- Isso não é besteira, já falei que não vou mais falar sobre isso. Cansei.
- Então é assim? Vai ficar estranho comigo por isso? Vem cá querubim, deixa de besteira e vem dar uma beijinho em seu namorado, vem?
Felipe tinha um certo dom de mudar meu humor. Não conseguia ficar sério quando ele vinha com seu jeito doce de me abraçar e me encher de beijos. Pouco tempo depois não consegui mais fingir que ainda estava com raiva e cedi aos seus encantos. Ficamos nos beijando e abraçados por um bom tempo até a hora que tive que partir. Felipe me deixou em casa me dando mais alguns amassos dentro de seu carro. Me despedi com um sorriso no rosto e uma ideia fixa na cabeça:
- Se ele pensa que não faço o tipo do Leonardo, está muito enganado. Sei até o que fazer para provar do contrário.
Assim que entrei em casa fui direto para o computador. Ignorei a presença do Niel, que estava para variar,se masturbando para os tarados no outro lado do computador e saí do quarto. Fiquei sentado no chão da sala e comecei a conversar com o Léo.
- Boa noite, moço.
- Boa noite Gu. Chegou agora do trabalho?
- Foi, estou um pouco cansado, mas me deu uma vontade de sair amanhã a noite. Dar uma volta, sei lá.
- Se quiser, podemos sair um pouco, conheço uns lugares bem interessantes aqui perto de casa. Interessado?
- Pode ser... Amanhã saiu do trabalho às sete da noite. Nos encontramos no Shopping mesmo?
- Ótimo, por mim está marcado.
- Por mim também. Até fiquei excitado com o programa, mas preciso ir dormir. Boa noite.
- Ficou excitado, que ótimo. Pelo visto não foi só eu. rsrsrs
Boa noite, garoto bonito. ;)
- Boa noite.
Com um sorriso no rosto, desliguei o computador e fui tomar banho. Fiquei tão empolgado com o que acabei de fazer, que o corpo do Léo não saiu de minha cabeça um instante durante o banho e antes de dormir pensei que foi muito mais fácil do que imaginava.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

6 - Louro Ouro - Brilho, abuso e perfeição.

Aceitei seu pedido de solicitação. alguns segundos depois ele puxou assunto comigo:
- Boa noite, moço do Center Shopping.
- Boa noite Leonardo.
- Pode me chamar de Léo. Você não é daqui, estou certo?
- Está, sou de Natal, Rio Grande do Norte.
- Percebi pelo seu sotaque quando nos conhecemos. Então, está gostando de Uberlândia?
- Estou sim...
Me resumi a poucas palavras e estava um pouco indiferente a sua conversa quando ele começou a falar do Felipe:
- Conheço o Felipe já a alguns anos. Definitivamente achei estranho ter visto ele tão próximo de você.
- Ah, ele é assim mesmo.
- Não é bem assim. Namorei com ele e antes disso passamos meses ficando. Ele não era assim comigo e não o vi se expôr assim com ninguém antes.
- Quanto a isso, não tenho o que dizer. Pensei que ele era assim, já que me trata desta forma desde quando nos conhecemos.
- Então, vamos mudar um pouco de assunto... Que tal irmos para a Heaven sábado? Soube que vai ter show de uma Drag Qeen de Natal.
- Não sei, vou falar com o Felipe. Qualquer coisa, te informamos.
- Ok, boa noite, então.
- Boa.
Não aguentei mais nem ficar com o computador ligado. Não acredito que ele não me apresentou como namorado para o Leonardo. Não acredito que ele é ex dele e mesmo assim ficou todo empolgado com a presença dele me ignorando daquela forma. Qual será o problema dele?
Fiquei horas perdido em pensamentos. Tentava dormir mas aquela cena não saía de minha cabeça. Quando dei por mim, já eram quatro horas da manhã e só consegui dormir quando tentei pensar em outras coisas.
A semana passou e fiquei evitando o Felipe de propósito todos estes dias. Não respondia suas perguntas na internet, não atendia suas ligações e muito menos respondia suas mensagens de texto. Com certeza ele não estava entendendo nada que estava acontecendo e pela quantidade de vezes que me procurava era notória sua preocupação.
Já era sexta a noite, estava voltando para casa do trabalho quando lembrei que o Leonardo falou da apresentação da Drag de Natal. Resolvi ir, mesmo que só.
Me arrumei com a melhor roupa que tinha. Cheguei na porta da boate eram meia noite e meia e fiquei na fila esperando para entrar. Não conhecia a boate e já que estava só, fiquei mais perdido ainda. Procurei um bar que não demorou muito para encontrar... Fiquei parado olhando as pessoas ao meu redor se divertindo e dançando. Pedi uma cerveja e fiquei com os cotovelos no balcão pensando na vida e esperando o momento do show da Drag nordestina.
- Bebê, pede uma vodca pra mim.
Senti a ponta de seus dedos em minhas costas e suas unhas enormes me arranhando levemente. Olhei para trás e com certeza reconheci o sotaque. Só poderia ser ela.
Olhos azuis, maquiagem muito bem feita, cabelos louros cor de ouro, tinha uma pele clara e braços fortes, não como de um homem musculoso, mas como os de uma mulher que frequentava academia. Sua cintura afilada e corpo bem desenhado, ficava completamente alinhado com as curvas de seu vestido justo e preto. Estava usando brincos grandes e brilhantes. Olhou para mim de cima a baixo com um ar de superioridade que me chamou a atenção no mesmo instante.
- Claro! 
Respondi ignorando sua comanda estendida bem em minha frente. Pedi uma vodca e entreguei em suas mãos.
Ela simplesmente ignorou o fato de eu ter-lhe pago a bebida e ainda me olhando por cima, me deu um sorriso e virou.
Não tive outra reação e segurei seu braço. Ela apenas parou, olhou para mim ainda de costas e com rabo de olho perguntou:
- O que foi?
- Posso saber ao menos seu nome e de onde é?
- Nathyelly Ryos Balystar. E pelo visto você também é do nordeste. Conheço este sotaque de longe.
Ela virou e ficou bem em frente a mim. Me levantei e ela sentou em meu lugar.
- Sou de Natal, estou aqui a pouco tempo.
- Também sou de Natal, mas não lembro de você nas boates de lá. Resolveu se soltar bem longe de casa em?
- Na verdade não sou muito de sair. Só vim por que houvi que tinha uma drag do nordeste aqui.
- Pois então, prazer. Você acabou de conhecer quem procurava.
- E fico feliz por ter te encontrado, por você ser potiguar e por ser muito mais linda do que imaginava.
Ela sorriu novamente, se levantou e disse:
- Não perca seu tempo comigo, não sou do tipo que se deve tentar conquistar. Agora me deixe ir, que meu show vai já começar.
- Mas posso ficar pelo menos aqui, te esperando?
- Não garanto voltar, mas fique aí, quem sabe eu volte?
E sumiu diante a multidão.
Pouco mais de meia hora depois, uma drag que aparentava ser a anfitriã da festa apresenta Nathyelly e o show começa. Fiquei parado sem se que me mover com tamanha exuberância e delicadeza. Ela dublava a música com tal perfeição que realmente tive a impressão que ela mesma estava cantando. Fiquei chocado quando ela pediu para o público abrir espaço no meio do dance co os braços. Desceu do palco e parou no meio do público, tirou sua máscara e o sobretudo rosa que cobria sua roupa justa e brilhosa que parecia mais um maiô de escola de samba, com tanto brilho. Ela continuou dublando e desta vez olhando em minha direção. Apontou o braço para mim duas vezes e começou a bater cabelo. Ficou girando sua cabeça jogando seu cabelo longo e louro formando movimentos em oito no ar. Bateu cabelo por uns dois minutos ou mais. Realmente fiquei impressionado com sua destreza e como não ficou tonta. Todos foram ao delírio com sua performance. Meus olhos brilhavam e não pude deixar de aplaudir seu desempenho quando sua apresentação terminou.
Já tinha passado uma hora de sua apresentação e nada da Nathyelly, já estava começando a acreditar que não iria voltar quando escuto sua voz me chamando:
-Ei, bebê, vem dançar um pouco.
Peguei mais uma cerveja no bar e fui para o dance ao seu encontro.
Ficamos dançando por um bom tempo e misturamos o que estávamos bebendo. Ela me contava como estava adorando sua vida em são Paulo e que não tinha pretensão de voltar para Natal neste mesmo ano. Pensava em talvez, voltar no ano seguinte.
Ela não abaixava a cabeça em momento nenhum. Não olhava para as pessoas ao seu redor e apenas de ser extremamente abusada, conseguia ser simpática com todos que chegavam próximos a ela pedindo para tirar uma foto. Nathy me olhava sorrindo sempre que se virava para atender um pedido, cumprimentar as pessoas ou fazer pose para foto. O efeito do álcool já estava mais em minha mente do que imaginava quando me pegou pelo braço e disse:
- Vamos sentar um pouco que já estou começando a ficar um pouco tonta.
Segurei seu braço e a acompanhei até um banco do bar.
Em alguns momentos, ficamos tão próximos que não pude evitar de olhar seu lábios grandes que tanto brilhavam com o brilho se seu batom. Se abanava com um leque e reclamava do calor quando perguntei:
- Será que alguém como você ficaria com alguém como eu?
- Alguém como eu como? Alguém linda como eu?
E sorriu tentando me deixar menos constrangido com a besteira que disse.
- Não sei, porque não tenta.
Não pensei duas vezes quando segurei sua nuca e prendi seus cabelos entre meus dedos e a beijei.
Ela não exitou. Me beijou com a mesma intensidade que segurei sua cintura. Na mesma hora me veio o Felipe na cabeça e soube como ele se sentia quando me segurava como a segurei. Gostei da sensação. Estar no controle realmente é estimulante.
Nathyelly tinha um comportamento feminino, forte e confiante, mas com certeza, não negava seu fogo de homem.
Fiquei muito tempo dançando e abraçado a ela. Fazia tempo que não ficava com alguém que fazia me sentir tão bem. A noite simplesmente voou e senti um pouco de vazio dentro de mim quando ela disse que teria que ir embora. Me beijou uma última vez e disse:
- Espero que nossa noite não acabe com esta despedida.
Piscou os olhos, abriu a porta do táxi e falou:
- Adorei a noite, Gustavo. Bom dia!
Nem olhei para trás, apenas segui andando para o terminal central, que ficava poucos metros da boate. Lá comprei alguns pães de queijo e embarquei no ônibus ainda os comendo e lembrando de como foi incrível, minha noite com a Nathy.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

5 - Roxo - Resquício de tragédia.

Nem chegamos a escolher um filme, o cinema estava completamente lotado e o desanimo para ver qualquer filme foi generalizado. O Romantismo passaria longe. Resolvemos jantar e Felipe ficou surpreso com o tamanho do prato que coloquei. Nem imaginei que nossa conversa fosse tão intensa. Falamos sobre tudo, sobre toda nossa história até o momento que nos conhecemos. Falamos sobre amores, sobre ficção, sobre nossas famílias e o que pretendíamos para o futuro. Definitivamente, ficar olhando ele me olhar com aqueles olhos mel me deixava estasiado. Queria entender o que um cara como ele via em alguém como eu. Não tenho nada demais, tenho apenas um metro e sessenta e nove de altura, moreno, olhos e cabelos castanhos, sou magro, com meus sessenta e dois quilos e minha personalidade também não é aquela que chama a atenção de alguém. Não da forma e intensidade que ele se vê atraído por mim. Queria mesmo entender.
-Felipe, sinceramente, por que está tão interessado assim em mim? Sei lá, nem tenho nada de mais e tem tanta gente muito mais interessante que eu fazendo qualquer coisa para estar ao seu lado.
- Você é diferente. Vi o quanto estava interessado em mim na boate, mas ao contrário de todos, você não veio se jogando em cima de mim, demonstra que é diferente deles com suas atitudes estranhas e seu sotaque me encanta. Gosto de estar com você, ver seu jeito constrangido com minha presença eleva minha auto-estima e me estimula a cada vez mais querer fazer algo novo para te agradar.
- Nada convencido, você, né?
- Não é isso, apenas não sou do tipo que fica levantando falsa modéstia. E outra, depois de nossa conversa de hoje, minha admiração por você só aumenta. Cara, largar tudo e vir para cá praticamente sem nada e viver como vive... Não sei se suportaria.
- Estou aqui por escolha e não pretendo voltar enquanto não alcançar meus objetivos. Já cometi muitos erros em minha vida e a escolha de ter vindo não pode simplesmente ser mais um destes tantos erros.
- É assim que se fala.
Continuamos conversando sobre pretensões, ele falando dos tantos relacionamentos vividos e eu me gabando por ter tido apenas dois e intensos romances.
Felipe era do tipo de cara que fazia de tudo para ver sua companhia bem. Ficou me oferendo mimos o tempo todo e não parava de me tocar. Parecia que sentia necessidade de ficar me pegando o tempo todo. Quando andávamos, colocava  o braço em meus ombros em tom de brincadeira, me empurrava a cada cinco passos. Na mesa não parava de tentar segurar minhas mãos. 
Não é que sou contra demonstrações de afeto, as vezes ligo o botão de "Foda-se" o mundo e até beijo na rua, mas isso é relativo, depende muito de meu estado de espírito. Neste dia eu estava muito constrangido com suas investidas e até me sentia mau pelo fato de estar recusando suas tentativas de aproximação. Foi durante uma destas tentativas que me virei e pedi para ele parar. Fiquei em sua frente e tentando ficar sério, disse:
- Acho bom você parar de ficar tentando andar de mãos dadas comigo aqui, não vou fazer isso com você agora. Entendeu?
Felipe segurou mais uma vez minha cintura e me puxou ao seu encontro, encostando meu quadril no seu e com seu sorrindo desconcertante tentou me beijar. Minhas pernas ficaram bambas no mesmo instante e o empurrei. Nisso ele esbarra num rapaz que estava por trás de nós. Fiquei sem graça e sem entender quando o Felipe olhou para trás se desculpando e sorrindo, o abraça. Senti uma ponta de ciúmes com o tamanho da intimidade deles, mas me contive e fiquei na minha esperando o momento que seria apresentado.
Felipe, ainda abraçado com ele me apresenta:
- Gustavo, este é o Leonardo. Léo, este é o Gustavo.
- Prazer.
Dissemos os dois aos mesmo tempo.
Leonardo era alto comparado a mim, deveria ter mais ou menos, um metro e setenta e cinco de altura, atlético, tinha ombros e costas largas, usava uma camisa pólo preta com mangas curtas, que revelavam a grande tatuagem que cobria quase toda a parte superior esquerda de um de seus braços fortes. Era praticamente todo largo, moreno e de cabelo liso, tinha os dentes mais alinhados que já vi na boca de uma pessoa. Seu cabelo era liso e usava uma franja que cobria sua testa inteira e sobrancelhas. Definitivamente aquele cara além de muito bonito, deveria ser muito gostoso. O que me intrigou, é que eles não se largavam em momento nenhum. O Léo não tirava as mãos da cintura do meu namorado e isso me incomodou um pouco, mas o que me incomodou mais, foi o fato dele não ter me apresentado como namorado, já que pelo nível de intimidade deles, com certeza o Léo era gay ou no mínimo, sabia que o Felipe era. Percebi também que o Léo não parava de me olhar, e toda vez que o Felipe falava comigo e olhava para mim, ele também olhava com aquele sorriso que sempre deixava seu rosto como o de um japonês, com seus olhos serrados. Tentava entrar na conversa, mas a intimidade deles não me permitia fazer parte daquele momento tão feliz e particular. Depois de tanto interagirem e ficar notório meu desconforto com a situação, o próprio Leonardo se afastou do Felipe, e se despediu afirmando que estava atrasado para a aula de seu curso de inglês.
Apertamos a mão um do outro, se despediram com um forte abraço, que para mim, demorou mais do que deveria, e Felipe voltou a me dar a atenção de sempre.
- O que houve, por que está com esta cara?
- Nada, só não entendi por que este agarrado todo com ele.
- Uai, ele é meu amigo e pode parar com isso, ciúmes nem combina com você.
- Quem disse que estou com ciúmes?
Não adiantou, minhas orelhas queimaram tanto com seu comentário que tinha certeza que ele viu o rubor de meu rosto.
Fomos embora e finalmente no carro pude me sentir mais a vontade. Felipe esperou eu entrar e antes mesmo de eu colocar o cinto, avançou sobre mim como um cachorro quando vê um estranho pulando seu quintal. Me pegou pela cintura e me puxou com tanta força que não tive reação. Seu beijo era forte, sua mão me puxava com cada vez mais força. Me beijava com a mesma intensidade que suspirava palavras de desejo e descontrole. Não soube o que fazer, foi tudo muito rápido. Apenas me deixei levar e retribui todo o desejo contido dentro daquele carro. Felipe em momento algum havia me tratado assim, eras sempre muito respeitador e controlado. Não sei o que deu nele para agir comigo com tanta virilidade. Com certeza me senti usado, objeto de seus desejos mais ocultos e sinceramente, adorei ter sido tratado assim. 
Já estava em cima dele no banco da frente e quase sem roupa quando minha cabeça bateu no teto do carro e recobrei a consciência. Estávamos os dois muito excitados e eu tinha que fazer alguma coisa para parar com aquilo, caso contrário acabaríamos transando no estacionamento do shopping mesmo. Pedi calma e fui tentando me recompor e voltar para o banco do carona. Foi um pouco complicado, já que o Felipe era mais forte que eu. Depois de muita luta consegui me sentar e sorrindo, ele apenas falou:
- Não sei se vou conseguir ficar sem transar com você antes de conhecer sua Mãe. Você é muito gostoso, cara.
- Ah, cala a boca e vamos logo embora. Preciso dormir cedo.
Então ele ligou o carro e me deixou em casa. Nos despedimos e antes de ser agarrado novamente, saltei do carro com ele ainda em movimento.
- Calma, não precisava disso, não ia fazer nada.
Sei disso, saí assim para me proteger de mim mesmo e não do você.
Pisquei para ele, me despedi abrindo o portão e dando tchau.
Ele apenas sorriu e arrancou o carro sumindo de meu campo de visão.
Assim que entrei em casa, bati na porta do quarto achando que o Niel estava fazendo alguma sacanagem na internet. Notei que ele estava dormindo e depois de um bom banho para acalmar os ânimos, liguei o computador para olhar as atualizações do Facebook e estranhei quando vi a mais nova solicitação de amizade: 
Leonardo Silvestre, amigo em comum: Felipe Martins.

domingo, 13 de outubro de 2013

4 - Laranja - Conselhos, verdades e doçura.

- Ow, vai com calma... Abre isso aos poucos.
- Você é que quis vir tomar banho comigo, agora aguenta.
- Mas a água está muito fria.
Deixa de besteira que está no quente.
- Mas os respingos estão frios... E para de reclamar comigo, muito pior é você, que está aí cobrindo suas partes como se eu já não tivesse visto isso.
- Claro que você não viu, tá louco?
- aham... Porque seu shortinho de dormir não é nada transparente.
- Ah, cala a boca, Niel.
- Cara, você está excitado!
- Isso não é da sua conta!
- Vamos resolver isso agora...
Sem o menor pudor, o Daniel veio para cima de mim querendo fazer com que eu me masturbasse. O convenci de que não conseguia fazer aquilo com ele olhando. Ele não me deixava em paz tentando me desinibir, mas meu constrangimento era notório. Então o convenci a tomar banho enquanto eu me masturbava com a condição da luz ficar apagada. Apenas com a claridade da luz do luar, que vinha da janelinha do banheiro, pude ver a silhueta das curvas do Niel em minha frente, aquilo me excitava tanto que não tinha como não fazer o que ele queria. Poucos minutos olhando para aquele corpo ali em minha frente e que acabei de tocar, foram suficientes para espirrar todo meu tesão em sua direção. Não esperava, mas os primeiros jatos foram direto em suas costas, onde ele se virou para mim na mesma hora e sorrindo falou:
- Foi rápido em? Agora pode limpar minhas costas.
Depois disso, passamos mais tempo brincando um com o outro e nos provocando do que qualquer outra coisa. Tirando a sacanagem inicial, parece que nossa amizade não havia alterado em nada com o que aconteceu minutos atrás.
Saímos do banheiro, trocamos de roupa e fomos nos deitar. Niel, para variar, foi direto para o computador para estudar mais um pouco. Sem perceber, pedi para ele desligar aquilo e vir para a cama. Juro que não tinha a intenção de chamá-lo para dormir comigo, mas as palavras saíram e era tarde demais para voltar atrás. Ele disse que um convite destes não poderia ser recusado. Desligou o computador e veio deitar comigo em meu colchão. Dormimos abraçados um com o outro, demos um selinho de boa noite e dormimos.

No dia seguinte, acordo com o despertador do celular tocando e a cama vazia. Esta hora o Niel já deve ter ido para a faculdade. Então me levanto com muito mais sono que tinha na hora que fui dormir. Meu ritual matinal geralmente é o mesmo. A preguiça me persegue até o chuveiro. Hoje é uma segunda especial, preciso ir trabalhar para me encontrar com o Otávio.
Otávio é meu supervisor, amigo e principal incentivador. Apesar de ser mais novo e mais baixo que eu, ele tem uma barba bem fechada, pele branca como se evitasse o Sol e magro, usa óculos modernos e é dono de uma personalidade invejada por muitos ali dentro. Consegue ser bem humorado e abusado ao mesmo tempo, sabe se dar ao respeito e geralmente ouve atentamente minhas dúvidas. Particularmente o vejo como um homem quase perfeito, pena ser casado. Respeito o relacionamento das pessoas, principalmente o das pessoas que gosto. O Otávio tem um lado humano muito aguçado, não sei se sairia tão bem em outra função quanto nesta que ele está. Só se fosse Padre. (Risos)
Assim que cheguei no shopping, tratei de pegar o telefone e ligar para ele:
- Otávio?
- Oi Gustavo, aconteceu alguma coisa?
- Muitas coisas, precisamos conversar, onde você está?
- Estou chegando, me dê mais 5 minutos que me encontro com você.
- Ok, estou te esperando em frente aos elevadores de sempre.
-Certo. Tchau!
Não lembro de ter conhecido pessoa mais pontual, pois exatos cinco minutos depois ele chegou. Então fomos juntos para uns bancos de madeira que ficam bem na entrada do trabalho e ficamos conversando até a hora de entrar, contei sobre o que aconteceu com o Daniel e minhas dúvidas quanto ao Felipe. Otávio não levou nem um pouco a sério o que aconteceu com o Daniel e disse:
- Sua vontade de ir para a cama com aquela criança não era de hoje e você sabe muito bem disso. Agora se você estava bêbado ou não, você tem que começar a levar em consideração que você está namorando.
- Mas é que eu estava bêbado.
- Não importa seu estado de embriaguez, o que importa é que você pediu. Comece a levar este rapaz a sério, que pelo que percebi, ele tem justamente o que você mais precisa. Juízo!
Começamos a sorrir com sua última palavra tão enfatizada e resolvi ligar para ele. Neste momento Otávio se despede e afirma que estará lá dentro me esperando.
-Alô, Felipe?
- Oi Querubim... Pensei que não ia me ligar mais. Tudo bem com você?
- Estou ótimo, é que já estou no trabalho e queria conversar um pouco com você.
-Ah, por favor, faça isso sempre que quiser, é muito bom ouvir sua voz grave com este seu sotaque nordestino lindo.
- Lá vem você falando besteira.
- Besteira é você acreditar que vou conseguir passar mais que vinte e quatro horas longe de você. Me diga a hora que você sai do trabalho, porque vou te buscar para irmos ao cinema.
- Saio às sete, mas nem vou, só recebo dia primeiro.
- Não estou perguntando quando recebe. Estou apenas lhe informando que vamos ao cinema mais tarde.
- Então ta bom, venha me encontrar aqui no shopping às sete que conversamos sobre isso. Preciso desligar agora. Vou trabalhar. Beijão.
- Outro e até mais tarde.
Passei a tarde inteira só pensando nos últimos acontecimentos e a cada meia hora Otávio passava próximo a mim e me vinha com provocações do tipo:
- Não é por que está namorando que não vai trabalhar hoje, em? 
ou então:
- Cuidado para não deixar a cabeça lá fora e esquecer o que tem que fazer aqui dentro.
Sempre vinha com estas piadinhas sem graça e saía sem nem me dar a oportunidade de resposta. 
No final do dia fui o primeiro e desligar o pc, bater o ponto e correr para a saída. Sei lá, é a primeira vez aqui em Minas que tem alguém me esperando, que meu namorado está me esperando. Desci as escadas correndo e ainda respirando ofegante travo ao vê-lo parado diante mim. Ele ainda não tinha me visto, estava de cabeça baixa mexendo no celular e fiquei parado o observando. Nossa como ele era lindo. Estava com uma bota preta cano médio, calça jeans bem justa e uma camisa de botão xadrez azul com branco de manga três quartos. Cada passada dos dedos no cabelo me faziam imaginar mil e uma coisas. Queria poder agarrá-lo, correr ao seu encontro e dizer todas as palavras bonitas possíveis, mas perto dele não consigo falar nada, as palavras somem e consigo apenas admirar sua beleza, que sem dúvida, me embriaga. 
Então ele levanta o olhar, me vê e abre o sorriso mais sincero do mundo. Sem dúvida a parte de seu corpo que mais sou fissurado é sua boca. Me abraça coloca algo discretamente em meu bolso e diz:
- Este bom bom é apenas uma forma de devolver um pouco da doçura que você está trazendo para meus dias.
E pisca os olhos com uma cara de safado, que quase me fez derreter.

sábado, 12 de outubro de 2013

3 - Vermelho - Amizade, fogo e indiferença.

De repente minha cabeça fica zonza e no Caminho do Luizote ao terminal central, do terminal central para o terminal santa luzia e só depois pegar um ônibus para o granada, fico dormente, com olhar vago e perdido em pensamentos (Como ele pode ser tão perfeito assim e acreditar em uma conversa de bêbado?), ele sabia que não estava respondendo por mim. As vezes acreditamos na verdade que nos convém. Fiquei tão perdido em pensamentos que passei do ponto e tive que voltar andando. Entrei em casa e quando abri a porta do quarto, dei de cara com o Niel apenas de cueca, fazendo movimentos estranhos na frente do computador.
- Cara, que nojo, qual é a graça que você vê nisso.
- Sai dessa, Gustavo. Você atrapalhou tudo.
Nisso, ele digita algumas coisas no teclado e sai do chat. Vira para mim animado e pergunta:
- Então, conte-me tudo, não me esconda nada.
Me deito no meu colchão e olhando para o teto, repito tudo que o Felipe me contou.
- Como assim você não "atendeu" o cara? você deveria ao menos ter feito com ele, um oral, sei lá.
- Não sou assim, você sabe disso. De qualquer forma, ainda estou sem acreditar que ele aceitou meu pedido. A impressão que tenho é que ele se aproveitou da situação. Nem sei se realmente fiz este pedido.
- Com relação a isso não vou opinar, apenas segue seu coração.
- Se meu coração soubesse o que quer, seria muito bom. Cara, nem conheço ele direito. Nos conhecemos a menos de vinte e quatro horas. É cedo demais para se dizer namorando com alguém.
- Só sei que, enquanto você não souber o que fazer, você está namorando.
Fechei os olhos e tentei me ver namorando, mas o sentimento de solidão ainda permanece em mim. Este estado ainda me consome e talvez este seja mais um motivo dos quais resolvi me mudar. Me conhecer num estado de solidão. 
Niel volta para o computador e começa a estudar.
- Enfim, tenho prova amanhã e ainda não estudei o suficiente.
- Em sua mente você nunca estuda suficiente. Ainda bem que você perde tempo com estas safadezas na net, caso contrário, ficaria louco. (Risos)
Moreno, Daniel ainda é mais magro do que eu, mas com certeza seu corpo é muito mais definido. Já cansei de ver sua barriga sequinha e definida enquanto se despia em frente a câmera do computador, seu peitoral também é marcado e todos os músculos de seu corpo são definidos. Seu nariz é arredondado, as vezes brinco falando que seu nariz é de coxinha, olhos grandes e redondos, são tão castanhos quanto seus cabelos, que são curtos e enrolados, quase crespo. Por isso que seu cabelo é praticamente raspado. Pele morena da cor de chocolate ao lente. Prefiro usar esta comparação por que realmente ele parece uma barra de chocolate. Sem dúvida, ele é muito gostoso.
- Você deveria cobrar para fazer estas coisas na internet. Pela quantidade de gente que fica se masturbando vendo você, aposto que ganharia um dinheiro bom.
- Será mesmo? É que tenho medo de me expor.
- Cara, se expondo você já está e outra, você mesmo disse que só faz isso com pessoas de outros estados e países. Aproveita.
- Vou pensar no assunto.
De olhos fechados, fico tentando lembrar o que os fleches da noite passada me revelavam. Muita coisa que o Felipe me falou voltou à memória enquanto me contava. Sorrindo adormeci. 
Acordei com a claridade da luz do quarto e me deparei com o Daniel mais uma vez se exibindo para o computador. Geralmente ele não fazia estas coisas na minha frente, mas desta vez ele não se importou com minha presença e notando que eu tinha acordado, olhou para mim com um olhar de prazer que não consegui fingir que não estava vendo aquilo. Ele estava de joelhos em sua cama, apenas com sua cueca Kalvin boxer preta, com uma mão deslizando em seu corpo que brilhava por causa do óleo corporal e com a outra, se acariciava dentro da cueca. Seus dentes mordiam constantemente seus lábios carnudos. Ele me olhava com ar de quem queria alguma coisa, tenho certeza que me chamava com eles. Instintivamente coloquei minha mão dentro de minha bermuda e ele apenas acenou apoiando minha ação. Ele suspirava ofegante e lentamente começou a abaixar sua única peça de roupa ainda restante. Completamente nu e excitado, pegou o vidrinho de óleo que estava em sua cama com a mão que alisava seu corpo e apontou para mim. Percebi que ele queria que eu usasse aquilo. Me levantei de imediato em sua direção. Eu sabia que ele estava com a câmera ligada fazendo aquilo para alguém, então me aproximei fazendo de tudo para não aparecer na imagem. Vi que tinha um número grande de gente visualizando aquilo. Então ele falou baixinho:
- Resolvi testar sua opinião e cada uma destas pessoas está pagando para me ver fazendo isso. O curioso é que muita gente está comentando que seria muito melhor ver outra pessoa aqui comigo. Estes depravados querem se ver em outra pessoa. Entra na imagem e começar a passar este óleo em mim.
Até hoje não entendi ao certo o por que topei fazer aquilo. Não sei se foi algum tipo de desejo oculto ou apenas a vontade de me sentir em algum momento desejado como ele era todos os dias na Webcam. 
Entrei na imagem com as mãos já brilhando com o olho, fiquei de joelhos por trás dele, que imediatamente colocou minhas mãos em seu corpo e segurou minha cabeça pela nuca. Sussurrou que eu não olhasse para a câmera, mas uma vez ou outra, olhava para o número de visualizações que não parava de subir. ficamos ali por uns 30 minutos. Ele se masturbando e eu passando minhas mãos em cada centímetro de seu corpo definido. Então ele começa a se masturbar com tanta intensidade que não tinha como não saber que ele estava prestes a ejacular. Foi neste momento que resolvi eu mesmo fazer isso por ele. O puxei ao meu encontro e comecei a ajuda-lo com minha mão direita. Ele gemia e se contorcia todo até que jorrou todo seu prazer em jatos potentes e intermináveis. Neste momento me surpreendi com o vigor de sua juventude. Minha mão ainda estava toda melada quando ele desligou o chat e me deu um papel toalha. Me limpei, ele se limpou e me mostrou o número de visualizações: duzentos de dezenove. 
- Olha isso. Só este seu ato final nos rendeu quarenta e nove pessoas a mais visualizando. Nada mau para a primeira vez. Ganhamos cinquenta centavos por visualização. Ganhamos cento e nove reais e cinquenta centavos.
Ainda confuso com o que acabei de fazer, disse:
- Vou tomar banho.
- Espera, vou com você, afinal, não temos mais nada para esconder um do outro.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

2 - Rosa - Efeito do Álcool.

E da escuridão vem surgindo um som. Sem identificar ao certo do que se trata, o ignoro. Meu desejo é apenas continuar ali, parado sem se quer ter a consciência de onde estou. O chato é que este som é familiar e está aumentando a cada instante. Para e volta aos poucos aumentando novamente. Lentamente vou voltando a mim e abro os olhos assustado.
- Meu celular!
Penso com os olhos abertos e tentando identificar onde estou.
Quando me viro, o vejo deitado ao meu lado. Felipe era ainda mais bonito na claridade da manhã. Seus olhos ainda mais claros como mel e seus cabelos ainda mais escuros. Ele estava aparentemente sem roupa, coberto até a cintura, onde me revelava seu abdômen e peitoral definido, apesar de ser magro. Ele estava com a cabeça apoiada no mão, que se apoiava no travesseiro. Sorrindo para mim ele falou:
- Boa tarde, querubim.
Ainda assustado com a situação e sem entender nada, coloco as mãos no rosto e falo:
- Nossa! Me diz que não estou na sua casa.
- Uai, está sim... Vai me dizer que não lembro o que aconteceu na noite passada?

- Acho melhor nem perguntar...
Ele sorri e diz:

- Relaxa que você não fez nada demais, mas acho melhor você atender seu celular, porque seu namorado não para de ligar e isso já faz umas 4 horas.
Namorado? Percebi o ar de ironia em sua voz, mas preferi ignorar e olhar quem estava me ligando. Procurei meu telefone e olhei quem era. Sabia que era ele:
-Alô? Atendi com uma voz tão cansada que ele do outro lado da linha percebeu.
- Guh? Até que enfim você atendeu. Pensei que tivesse morrido. Onde você está? Pelo visto a noite foi boa, em? Volta ainda hoje?
Mal conseguia processar o que ele estava falando. Apenas ouvi tudo o que ele disse e respondi:
- Niel, relaxa que estou bem, quando chegar em casa te conto o que aconteceu quando descobrir. Beijão.
E desliguei o telefone enquanto ele ainda gritava do outro lado querendo saber alguma informação mais cabeluda.
Daniel é assim, completamente obcecado por sexo. Pensa nisso vinte a quatro horas por dia. Possui vários perfis no Facebook e contas "fake" para se exibir na internet. Basicamente foi por este motivo que ele resolveu sair da casa dos pais e morar comigo. Já conhecia o Daniel da internet antes mesmo de vir para Uberlândia, e confesso que foi por causa dele que resolvi vir. Como o conhecia apenas na net, só tinha conhecimento sobre seu lado promíscuo. E põe promiscuidade nisso. Apesar de seus 18 anos, ele possui uma gama de obscenidade que me assusta as vezes. Mas o Niel não é só isso. Ele como pessoa é um rapaz extremamente compromissado com seus estudos e focado em construir uma carreira. Estuda administração na UFU e geralmente está estudando ao mesmo tempo que se exibe na "cam" para os tarados de plantão. Não me perguntem como, mas ele consegue. Não vou negar que no começo tinha uma certa queda por ele e imaginava nós dois fazendo muita coisa feia entre quatro paredes, mas sabe quando a pessoa nasce para ser sua amiga? Pois é. Com ele foi deste jeito. Amizade a primeira vista.
Voltei minha atenção para o Felipe e constrangido, não consegui conter o sorriso. Sorriso este que imediatamente foi correspondido.
-Então, vamos almoçar e conversar um pouco? Aproveito e te conto o que ocorreu na noite passada para te despreocupar de uma vez.
Ele sabia que eu não lembrava de nada, nem como fui parar na casa dele.
Levantamos juntos da cama e meu alívio foi instantâneo quando reparei que ele estava de short e eu completamente vestido. Primeiro fui ao banheiro molhar o rosto, quando entrei tinha uma toalha dobrada, uma bermuda e uma camiseta regata com cheiro de amaciante me esperando. Ele se encosta na porta do banheiro e fala:
- Não pense que sou organizado assim. Preparei isso exclusivamente para você.
Não sei se sou eu que tinha perdido a fé no romantismo ou ele é que colocava muita fé nele. Só sei que a cada situação me surpreendia mais e até temia com o que pode ter acontecido.
Tomei uma banho tão demorado que parecia que estava em casa. Só me toquei quando depois de um bom tempo ele bate na porta perguntando se estou bem. Respondo que sim e desligo o chuveiro na mesma hora. Me visto com a roupa que estava no banheiro e sai todo sem graça.
-Pelo visto nosso biotipo é igual, já que minha roupa ficou tão bem em você que parece mais sua do que minha.
- Ah, cala a boca. Você só está falando isso para amenizar um pouco de meu constrangimento.
Então ele se levanta do sofá e vem ao meu encontro. Me abraça segurando mais uma vez cintura e diz após me dar um selo na boca:
- Não estou falando nada além da realidade. Todas as verdades que te disse até então são apenas o reflexo do seu jeito angelical de ser.
Tenho certeza que meus olhos brilharam neste momento e o abracei para fugir de seu olhar encantador. 
Em seguida nos sentamos e ele mesmo serviu a nós dois.
Meu prato tinha tão pouca comida quanto o dele, mas não quis que soubesse que como muito mais do que aparento, para não estragar o momento. Almoçamos e depois fomos para sala, deitamos no sofá e ele começou?
- Sério que você não lembra de nada que aconteceu ontem?
- Só lembro de alguns fleches, mas com perfeição, só até o momento em que nos beijamos na entrada da boate.
- Então vou te contar a partir daí. 
A cada palavra que ele dizia eu ficava ainda mais perplexo com o que fiz.
- Então você começou a beber sem parar, misturava tudo o que via pela frente. Confesso que fiquei preocupado e pedi para você ir com calma em vários momentos, mas você parecia tão bem, que não quis ser o chato da situação. Seus amigos ficaram conosco por um bom tempo, mas como você não parava em um lugar só, constantemente nos perdíamos de todos, dos meus e dos seus amigos. Por volta das quatro da madrugada você começou a passar mau. Vomitou e resolvi te colocar num táxi para te levar em casa. O problema é que você achava que estava em Natal, no Rio Grande do Norte e falava um endereço que aqui em Uberlândia nem existe. Inclusive até agora quero saber o que é "Nova Parnamirim". (Risos) Como não tive outra escolha, te trouxe aqui para casa e o que mais me encantou foi te ouvir falar no táxi que eu poderia entrar para dormir com você na sua casa, mas que por favor, não tentasse fazer nada com você, porque você era de família e que eu precisava conhecer sua "Mainha" primeiro. O Taxista riu quando você disse isso e eu só sabia segurar sua cabeça e dizer que estava tudo bem.
Chegando aqui em casa, você simplesmente foi direto para o quarto, o que não sei como você sabia onde era, já que foi direto para lá e apagou na cama. Ainda tentei te animar oferecendo um copo com água, perguntei se queria tomar banho, mas nada. Então resolvi te deixar em paz, comi alguma coisa, tomei banho e fui dormir com você.
Ouvi todo calado sem saber o que fazer ou falar. Apenas pedi desculpas e ele só sabia sorrir.Foi então que ele falou a grande revelação:
-Assim que me deitei, te abracei e beijei seu rosto. Você se virou para mim, disse que sou perfeito para você em tudo e me pediu em namoro. 
Na mesma hora me veio um frio na barriga e comecei a entender o motivo de tantos mimos. Ironizando a situação e demonstrando não ter lavado a sério eu disse sorrindo:
- Até imagino sua reação com esta conversa de bêbado.
E ele apenas me responde:
- Relaxa, eu aceitei.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

1 - Cinza - Renascimento.

Recomeçar... Acho que todo mundo já quis uma oportunidade de tentar de novo. Ter feito algo diferente, ter tomado outras decisões. Acho que foi justamente isso que me fez mudar. Vir para Uberlândia apenas com uma mala com mais sonhos e esperanças do que roupas foi basicamente uma maneira desesperada de tentar de novo. Chegar aos vinte e cinco sem ter conquistado nada sólido em minha vida, me fez acreditar que vindo para uma cidade completamente estranha, seria basicamente uma nova oportunidade de fazer diferente. Certo que deixei muita coisa para trás. Deixar minha família e amigos foi a parte mais dolorosa, mas é fato que todas nossas escolhas de qualquer forma exigem sacrifícios. Hoje olho para o cinza do telhado e fico imaginando, será que tomei a decisão correta? Isso, só o futuro dirá.


Dez e meia da manhã, o celular toca incessavelmente e a preguiça toma conta de todo meu corpo. Nem meus olhos consigo abrir. Queria ter vontade para ao menos desligar o despertador do celular. Me levanto ainda sem abrir os olhos, que aliás é um costume que tenho desde a infância. Me levanto, deixo o despertador tocando e ainda sonolento vou ao banheiro. Me olho no espelho e vendo meu rosto cansado, desanimado e com olheiras, penso por quanto tempo vou aguentar viver assim.

Tenho muita sorte de estar me saindo bem no trabalho, afinal, só em ter tido a sorte de ser contratado no dia seguinte que cheguei em Uberlândia já é algo para se animar. Lá venho me destacando pelo bom serviço prestado. Me revigora cada elogio de meus superiores e o que me motiva é saber que meus próprios colegas de trabalho me vêem como alguém que pode ser promovido rápido. Me assusta esta ideia de que as pessoas acreditam mais em mim do que eu mesmo. Não vejo tanto potencial assim em mim, mas apesar de tudo, procuro mostrar constantemente meu sorriso e a fé em conquistar algo melhor. 
As vezes a necessidade nos obriga a querer algo que ainda não estamos prontos para encarar. Sei que não estou preparado para tentar uma promoção agora, sei que ainda tenho muito o que aprender. O problema é que, apesar de Uberlândia ser uma cidade linda, assim como as outras, ela não tem pena daqueles que nela residem. Meu salário de atendente de telemarketing não está sendo suficiente para pagar meu aluguel e me alimentar, já que não tenho nada além de um colchão inflável e um edredom para me aquecer nas noites de frio, que por sinal são muito frias. Uberlândia é uma cidade que me confunde. Pois pela tarde o Sol deixa a temperatura muito quente, mas quando a noite chega o frio é de congelar. Confesso que ainda estou me acostumando com isso. De qualquer forma, fico pensando em como melhorar minha situação. Comer na rua sai muito caro, já que não tenho geladeira nem fogão, comer em casa não é uma opção. De qualquer forma, acho que esta é a pior parte de minha vida "nova" aqui em minas.
Pelo menos uma vez por mês me dou ao luxo de sair para me divertir na noite uberlandense. E foi em uma destas noites que o conheci. Olhos puxados, magro, pele branca e cabelos negros como carvão. Fiquei olhando seu jeito de dançar por um bom tempo. Via o quanto se divertia e como movimentava a cabeça movimentando seus cabelos de um lado para o outro. Parecia que era de propósito que se movimentava de olhos fechados, sem ligar para nenhuma das pessoas ao redor. Cansado de admirar tanta beleza, resolvi sair do dance e fui comprar algo para beber no bar esterno. Não querendo vê-lo, resolvi ir ao fumódromo, que fica na parte alta da boate, lá encontram-se poltronas, bancos de madeira e muita gente fumando, claro. Encontrei algumas pessoas que conheci em uma festa na casa de uma das meninas do trabalho e fiquei um bom tempo ali, conversando até o momento em que o vejo, sentado em um banco de madeira, me olhando descartadamente sem se quer disfarçar quando percebe que o vi. Fiquei nervoso na mesma hora. Virei o olhar e continuei olhando para o pessoal, que já estavam completamente embriagados e eu tonto apenas em saber que ele estava me olhando. Não tive coragem de olhar novamente,fiquei tão nervoso que não sabia se ia embora dali ou ficava parado fingido que nada estava acontecendo. Enquanto pensava no que fazer senti aquela mão forte em minha cintura e uma voz grave ao pé do meu ouvido por traz falar:
- Boa noite.
Na mesma hora minhas orelhas queimaram e minhas pernas ficaram bambas. Não tinha outra escolha a não ser me virar.
Me deparei naquela situação, olhando para o cara que passei a noite admirando me olhando e sorrindo para mim com o sorriso mais desconsertante que havia visto em toda minha vida. Minha única reação foi falar:
- Boa.
Sorri e olhei para o chão na mesma hora de tamanho constrangimento. Notando meu desconforto, ele puxou assunto:
- Percebi que você não voltou mais para o dance e resolvi te procurar.
Não soube o que dizer. Ele já tinha me visto e eu nem notei. Será que ele percebeu que fiquei o admirando por mais de uma hora? Não me deixando falar ele continuou:
- Reparei que você me olhou por um bom tempo. Daí fiquei curioso para saber por que me olhava tanto.
Acho que ele falou isso apenas com o intuito de me constranger ainda mais e não deixando por menos respondi:
- Não estava te olhando, foi impressão sua.
E ficamos nos olhando com ar de ironia por alguns instantes até que uma amiga dele aparece do nada já o agarrando pelos braços e falando:
- Até que enfim te encontrei, Felipe. Onde você estava que não te encontrei em lugar nenhum?
Ele responde sorrindo:
- Estava o tempo todo aqui. A propósito, Amanda, este é o...
- Gustavo.
Respondi antes que a deixasse entender que não sabíamos um o nome do outro.
Ela me olhou e falou no ouvido dele tão alto que ouvi:
- Ele é uma gracinha, se você não pegar eu mesma pego.
Ele percebeu que ouvi, mas fingiu que não e falou:
- Pode ficar tranquila que hoje, não te darei esta oportunidade.
Mais uma vez fiquei sem saber nem para onde olhar. Então a Amanda dá um selinho no Felipe, me beija o rosto e se despede, nos deixando a sós.
Não perdendo tempo ele chega próximo de mim mais uma vez me segurando pela cintura, me pergunta ao pé do ouvido se não quero sair daquele ambiente. Fomos para fora da boate e encostado num carro, ele acende um cigarro e vira o rosto inclinando para cima para liberar a fumaça. Fiquei o observando e esperando ele falar alguma coisa, mas não foi isso que aconteceu. Mais uma vez me segurou pela cintura, o que já estava se tornando uma mania, me puxa em sua direção e antes de me beijar ele diz:
- Vem cá que agora quero saber se valeu a pena desejar esta sua boca a noite toda.