- Ow, vai com calma... Abre isso aos poucos.
- Você é que quis vir tomar banho comigo, agora aguenta.
- Mas a água está muito fria.
Deixa de besteira que está no quente.
- Mas os respingos estão frios... E para de reclamar comigo, muito pior é você, que está aí cobrindo suas partes como se eu já não tivesse visto isso.
- Claro que você não viu, tá louco?
- aham... Porque seu shortinho de dormir não é nada transparente.
- Ah, cala a boca, Niel.
- Cara, você está excitado!
- Isso não é da sua conta!
- Vamos resolver isso agora...
Sem o menor pudor, o Daniel veio para cima de mim querendo fazer com que eu me masturbasse. O convenci de que não conseguia fazer aquilo com ele olhando. Ele não me deixava em paz tentando me desinibir, mas meu constrangimento era notório. Então o convenci a tomar banho enquanto eu me masturbava com a condição da luz ficar apagada. Apenas com a claridade da luz do luar, que vinha da janelinha do banheiro, pude ver a silhueta das curvas do Niel em minha frente, aquilo me excitava tanto que não tinha como não fazer o que ele queria. Poucos minutos olhando para aquele corpo ali em minha frente e que acabei de tocar, foram suficientes para espirrar todo meu tesão em sua direção. Não esperava, mas os primeiros jatos foram direto em suas costas, onde ele se virou para mim na mesma hora e sorrindo falou:
- Foi rápido em? Agora pode limpar minhas costas.
Depois disso, passamos mais tempo brincando um com o outro e nos provocando do que qualquer outra coisa. Tirando a sacanagem inicial, parece que nossa amizade não havia alterado em nada com o que aconteceu minutos atrás.
Saímos do banheiro, trocamos de roupa e fomos nos deitar. Niel, para variar, foi direto para o computador para estudar mais um pouco. Sem perceber, pedi para ele desligar aquilo e vir para a cama. Juro que não tinha a intenção de chamá-lo para dormir comigo, mas as palavras saíram e era tarde demais para voltar atrás. Ele disse que um convite destes não poderia ser recusado. Desligou o computador e veio deitar comigo em meu colchão. Dormimos abraçados um com o outro, demos um selinho de boa noite e dormimos.
No dia seguinte, acordo com o despertador do celular tocando e a cama vazia. Esta hora o Niel já deve ter ido para a faculdade. Então me levanto com muito mais sono que tinha na hora que fui dormir. Meu ritual matinal geralmente é o mesmo. A preguiça me persegue até o chuveiro. Hoje é uma segunda especial, preciso ir trabalhar para me encontrar com o Otávio.
Otávio é meu supervisor, amigo e principal incentivador. Apesar de ser mais novo e mais baixo que eu, ele tem uma barba bem fechada, pele branca como se evitasse o Sol e magro, usa óculos modernos e é dono de uma personalidade invejada por muitos ali dentro. Consegue ser bem humorado e abusado ao mesmo tempo, sabe se dar ao respeito e geralmente ouve atentamente minhas dúvidas. Particularmente o vejo como um homem quase perfeito, pena ser casado. Respeito o relacionamento das pessoas, principalmente o das pessoas que gosto. O Otávio tem um lado humano muito aguçado, não sei se sairia tão bem em outra função quanto nesta que ele está. Só se fosse Padre. (Risos)
Assim que cheguei no shopping, tratei de pegar o telefone e ligar para ele:
- Otávio?
- Oi Gustavo, aconteceu alguma coisa?
- Muitas coisas, precisamos conversar, onde você está?
- Estou chegando, me dê mais 5 minutos que me encontro com você.
- Ok, estou te esperando em frente aos elevadores de sempre.
-Certo. Tchau!
Não lembro de ter conhecido pessoa mais pontual, pois exatos cinco minutos depois ele chegou. Então fomos juntos para uns bancos de madeira que ficam bem na entrada do trabalho e ficamos conversando até a hora de entrar, contei sobre o que aconteceu com o Daniel e minhas dúvidas quanto ao Felipe. Otávio não levou nem um pouco a sério o que aconteceu com o Daniel e disse:
- Sua vontade de ir para a cama com aquela criança não era de hoje e você sabe muito bem disso. Agora se você estava bêbado ou não, você tem que começar a levar em consideração que você está namorando.
- Mas é que eu estava bêbado.
- Não importa seu estado de embriaguez, o que importa é que você pediu. Comece a levar este rapaz a sério, que pelo que percebi, ele tem justamente o que você mais precisa. Juízo!
Começamos a sorrir com sua última palavra tão enfatizada e resolvi ligar para ele. Neste momento Otávio se despede e afirma que estará lá dentro me esperando.
-Alô, Felipe?
- Oi Querubim... Pensei que não ia me ligar mais. Tudo bem com você?
- Estou ótimo, é que já estou no trabalho e queria conversar um pouco com você.
-Ah, por favor, faça isso sempre que quiser, é muito bom ouvir sua voz grave com este seu sotaque nordestino lindo.
- Lá vem você falando besteira.
- Besteira é você acreditar que vou conseguir passar mais que vinte e quatro horas longe de você. Me diga a hora que você sai do trabalho, porque vou te buscar para irmos ao cinema.
- Saio às sete, mas nem vou, só recebo dia primeiro.
- Não estou perguntando quando recebe. Estou apenas lhe informando que vamos ao cinema mais tarde.
- Então ta bom, venha me encontrar aqui no shopping às sete que conversamos sobre isso. Preciso desligar agora. Vou trabalhar. Beijão.
- Outro e até mais tarde.
Passei a tarde inteira só pensando nos últimos acontecimentos e a cada meia hora Otávio passava próximo a mim e me vinha com provocações do tipo:
- Não é por que está namorando que não vai trabalhar hoje, em?
ou então:
- Cuidado para não deixar a cabeça lá fora e esquecer o que tem que fazer aqui dentro.
Sempre vinha com estas piadinhas sem graça e saía sem nem me dar a oportunidade de resposta.
No final do dia fui o primeiro e desligar o pc, bater o ponto e correr para a saída. Sei lá, é a primeira vez aqui em Minas que tem alguém me esperando, que meu namorado está me esperando. Desci as escadas correndo e ainda respirando ofegante travo ao vê-lo parado diante mim. Ele ainda não tinha me visto, estava de cabeça baixa mexendo no celular e fiquei parado o observando. Nossa como ele era lindo. Estava com uma bota preta cano médio, calça jeans bem justa e uma camisa de botão xadrez azul com branco de manga três quartos. Cada passada dos dedos no cabelo me faziam imaginar mil e uma coisas. Queria poder agarrá-lo, correr ao seu encontro e dizer todas as palavras bonitas possíveis, mas perto dele não consigo falar nada, as palavras somem e consigo apenas admirar sua beleza, que sem dúvida, me embriaga.
Então ele levanta o olhar, me vê e abre o sorriso mais sincero do mundo. Sem dúvida a parte de seu corpo que mais sou fissurado é sua boca. Me abraça coloca algo discretamente em meu bolso e diz:
- Este bom bom é apenas uma forma de devolver um pouco da doçura que você está trazendo para meus dias.
E pisca os olhos com uma cara de safado, que quase me fez derreter.
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